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Por: De Olho na City
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Mulher pode ter força, mas não muito!

Geral - Política - 23/11/2017

Nesta sexta-feira (24) o Coletivo Janete Cassol dá a largada para uma extensa programação voltada ao combate da violência contra a mulher. Os “16 Dias de Ativismo” - que na verdade são 17 – pretendem envolver a população de Xanxerê e região em diversos debates e atividades para promover a conscientização e o respeito às mulheres. Embora quase todos os dias sejam noticiados casos de violência doméstica atendidos pela Polícia Militar, que inclusive registrou um aumento de 196% nos chamados por Maria da Penha em 2017 comparado ao mesmo período do ano passado, ainda tem gente achando que falar sobre o assunto é desnecessário.

 

Conforme a PM, de janeiro até a metade de novembro desse ano foram atendidos 172 casos de violência doméstica em Xanxerê, sendo que no mesmo período de 2016 foram 58. É claro que esses números são bem mais alarmantes, uma vez que boa parte das mulheres recebem ameaças e tem medo de procurar as autoridades para realizar a denúncia. Além disso, esses dados não querem necessariamente dizer que o número de casos aumentou, mas podem apontar que as vítimas estão mais encorajadas para dar um basta nos abusos. E como as mulheres são encorajadas a denunciar as violências que sofrem? Com acesso à informação, sabendo que elas são amparadas pela lei e apoiadas por mais irmãs que querem dar um basta nessa situação.

 

 

Sabemos que a violência contra a mulher não acontece só em casa e por parte do companheiro ou familiar: ela está em todos os lugares e enraizada no dia a dia de forma tão sutil e cultural que às vezes não percebemos e até já se tornou rotina. E isso falando superficialmente. Se aprofundar a questão e lembrar que em muitas vezes em que tentamos levantar a voz e dizer não à violência, ao assédio e ao machismo contra nós e nossas irmãs, somos julgadas, tachadas de loucas (para não dizer todas aquelas palavras ofensivas que vocês já sabem) e feministas (como se o feminismo fosse algo ruim), vamos nos indignar e chorar, mas não vão nos calar.

 

Porém, hoje escolhemos falar sobre a violência doméstica em virtude de um comentário infeliz feito por um nobre vereador durante a sessão da Câmara da quarta-feira (22). Na oportunidade, uma representante do Coletivo Janete Cassol explanou no início da sessão sobre a criação do coletivo, objetivos e ações, e convidou a Casa Legislativa e a comunidade para participarem da programação dos “16 Dias de Ativismo”. Como sempre, todos os legisladores teceram comentários em relação ao tema levantado na palavra livre e, nesse caso, a maioria foi de apoio à causa. Digo a maioria porque um comentário em especial chamou a atenção e seria melhor que nem tivesse sido feito. O nobre vereador em questão começou o discurso na tribuna dizendo que faria um “morde e assopra” e, na sequência, o comentário foi:

 

"Em relação à força que a mulher tem, poucas sabem a força que vocês têm e vocês sabem também, aquelas que tem força, o que que elas conseguem fazer para tirar um homem do sério. Então eu acho que falta um pouco de consenso na mulher para ela chegar e saber onde parar, porque é uma distância muito pequena para tirar alguém da base e partir para a agressão. Não é uma coisa que vem de muito tempo, porque eu acho que em cinco minutos você já consegue criar uma bela de uma confusão entre um casal. Então a mulher tem força e sofre porque vivemos num patriarcado, então vocês estão descobrindo valores, vocês sabem que tem força e vão ter que brigar com esse sistema porque realmente o sistema não dá vez para vocês, mas parabéns e estamos contando com vocês" disse.

 

Sério? surprise Sim, pode conferir a partir de 1h05min no vídeo da TV Câmara. O vereador pode ter se expressado mal? Pode, mas acreditamos que ele reproduza o machismo pelo qual as mulheres vêm lutando contra, a opinião de uma parcela esmagadora da população – homens e mulheres – que coloca a culpa do abuso e da violência na vítima e acha que falar sobre empoderamento feminino é um grande blábláblá. Inclusive ouvimos do coletivo que muita gente não soube e não está sabendo lidar com a palavra “ativismo” e que teve até quem sugeriu usar o termo “atividades” para falar dessa programação inédita e tão necessária na nossa realidade. Deve ser porque dá o maior medo da mudança quando um grupo que pede por igualdade de direitos se levanta.

 

 

Bom, pelo menos o nobre vereador deu sua real opinião, foi sincero. Porque também é triste ver tanta gente por aí dizendo que é a vez das mulheres, que devem lutar por direitos, que devem ter consciência de sua força e usá-la, mas não muito né. É aquele apoio “moral” da boca para fora porque realmente acham que lugar de mulher ainda é pilotando o fogão. Para esse povo fica uma dica: deem uma passadinha nas atividades que o Coletivo Janete Cassol heartpreparou. Nunca é tarde para se informar e ter um pouco de empatia pelo próximo ou, nesse caso, pela próxima.

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