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Tornado em Xanxerê, Comunidade, Geral, Social - 20 Abr 2018 07:05

Atingidos pelo tornado reforçam residências como forma de prevenção

Por: Aline Tonello
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Atingidos pelo tornado reforçam residências como forma de prevenção A casa da família de Letícia foi reconstruída em alvenaria com laje (Foto: Arquivo Pessoal)

A satisfação de ver o lar reconstruído divide espaço com a sensação de insegurança. Letícia da Silva, de 22 anos, mora com a família no Bairro Tacca. A casa dela, nº 37, foi uma das tantas da Rua Aníbal Padilha que foram atingidas pelo tornado de 2015. Ela e a avó viram o telhado da residência ser levado pelo forte vento e o esforço de uma vida foi destruído em segundos. Com o pai pedreiro, economias, ajuda do poder público e de entidades, o lar foi reerguido em poucos meses. O que era de madeira se tornou alvenaria, ganhou laje e reforço para que a família esteja mais segura contra as forças da natureza, preocupação que deveria ser de todos em Xanxerê, não somente de quem foi atingido diretamente pela tragédia.

A assistente social conta que o único local que permaneceu coberto foi o salão de festa, que era de alvenaria e telhado em platibanda. Nada do que havia dentro da casa pode ser salvo devido à chuva que caiu após a passagem do fenômeno. Para recomeçar, a família optou por viver no único cômodo que restou e utilizar o banheiro destruído de forma improvisada até que a nova casa ficasse pronta.

- Foi desmanchado tudo o que sobrou de madeira, a gente ficou morando nessa peça. Como meu pai era pedreiro economizamos na mão de obra, que é o mais caro para todo mundo. Foi feito laje na parte de baixo, que tem o porão, e feito laje na parte de cima. Foi uns cinco meses até que conseguimos ajeitar para morar na parte nova. A gente já tinha a intenção de reformar e estava guardando dinheiro para isso, mas a gente só fez tudo o que fez porque teve ajuda de entidades e também da Prefeitura e Defesa Civil – afirma Letícia.

Três anos depois e casa nova, ela destaca que permanece o medo de que aconteça novamente e que melhorias na nova construção foram feitas para dar mais segurança para a família.

- Quem chegou e viu tudo destruído se assustou mais do que quem estava no local, não tem explicação o que aconteceu. O medo quando chove, quando o tempo fica feio, continua, claro. E a gente espera não passar por isso de novo e buscamos fazer uma casa melhor, mais segura – comenta.

Letícia e a família moram numa das ruas mais atingidas pelo tornado (Foto: Aline Tonello/Tudo Sobre Xanxerê)Letícia e a família moram numa das ruas mais atingidas pelo tornado (Foto: Aline Tonello/Tudo Sobre Xanxerê)

Problema de todos
A apreensão da família de Letícia é a mesma dos demais atingidos pelo tornado e também daqueles que não sofreram diretamente com o ocorrido. Essa preocupação, segundo o comandante do 14º Batalhão de Bombeiros Militar (BBM), major Walter Parizotto, deveria motivar para que as pessoas e o poder público buscassem se prevenir para que os danos materiais fossem menores e vidas não fossem perdidas em caso de novo desastre natural.

- É muito frustrante você saber que as pessoas viram, passaram por isso e não se convenceram. Apesar que, se você andar pelos bairros que foram afetados, você vai ver que as casas são um pouco mais resistentes agora, muita gente teve essa preocupação, algumas pessoas se sensibilizaram com relação a isso e pensaram em reconstruir com uma estrutura mais resistente que a anterior, e isso é bom. Mas com relação a escolas e pontos de aglomeração de pessoas, continuamos da mesma forma que estávamos antes do tornado. Estamos rodando no mesmo local e essa geração que está vindo não se lembrará, somos nós que temos que nos lembrar e fazer alguma coisa por nós e por ela – afirma Parizotto.

O major explica que o Oeste de Santa Catarina está no segundo maior corredor de tornados do mundo e que o fenômeno voltará a ocorrer aqui. Ele defende que, quanto mais preparadas a população estiver, menor será a demanda de socorro. As pessoas se tornam mais resilientes e ganham a capacidade de agir rápido e se reerguer diante da dificuldade. Porém, a conscientização de que estamos mais próximos de um novo desastre não deve ocorrer somente por parte da população, mas também pelo poder público, que precisa garantir locais seguros para a comunidade se abrigar.

- Quando as pessoas não se conscientizam por si, o poder público tem o dever de fazer essa conscientização através de leis, então eu penso que escolas e locais onde tem aglomeração de pessoas deveriam ser obrigados a ter uma estrutura resistente ao vento. Locais que sirvam de abrigo em caso de desastre, para onde as pessoas se direcionem quando avisadas da chegada de um novo tornado, por exemplo. Mas essa conscientização vai ocorrer também quando a gente falar mais sobre o assunto e levar isso para as escolas para que as crianças cresçam sabendo que desastres acontecem aqui. Os tornados não irão adaptar-se a Xanxerê, é Xanxerê que precisa adaptar-se aos tornados. Nós escolhemos viver aqui, então temos que olhar para natureza e saber que ela tem esse comportamento extremo – frisa.

Rua Aníbal Padilha, no Bairro Tacca, logo após a passagem do fenômeno (Foto: Arquivo Pessoal)Rua Aníbal Padilha, no Bairro Tacca, logo após a passagem do fenômeno (Foto: Arquivo Pessoal)

Prevendo o futuro

Cerca de oito meses após a passagem do tornado, a companhia do Corpo de Bombeiros de Xanxerê foi transformada em batalhão, passando a coordenar 29 municípios da região. Conforme o comandante, o 14º BBM é o primeiro de Santa Catarina a ter um plano de resposta a eventos extremos, se estruturando sobre todas as falhas que ocorreram no pós-tornado.

- Nós trabalhamos em cima de tudo aquilo que tivemos problemas na época. Nós não conseguimos acionar reforço e hoje esperamos que o reforço venha sem ser chamado. Estamos melhorando sensivelmente a nossa comunicação. Nós ficamos às cegas, tínhamos uma comunicação muito deficitária analógica e estamos migrando para o sistema digital, que é muito mais eficiente, e que nos permite outros tipos de acesso às pessoas. Temos mais equipamentos, o quartel é mais resiliente, temos uma estrutura com geradores para funcionar de forma integral, treinamos e nos preparamos para isso porque nós acreditamos que vai acontecer novamente – explica Parizotto.

O major destaca que o Estado tem feito muito com relação à prevenção e resposta a desastres, inclusive tendo a melhor Defesa Civil do país, mas é necessário que esse trabalho seja também feito nos municípios.

- Nós somos um órgão de resposta, temos buscado conscientizar os prefeitos da região que é fundamental se preparar porque vai acontecer, e que o despreparado vai pagar mais caro, tanto politicamente quanto no atendimento às pessoas. É só uma questão de tempo para termos o próximo. Quando será eu não sei, mas vai acontecer e ignorar isso é sofrer de novo – finaliza Parizotto.

(Foto: Tudo Sobre Xanxerê)(Foto: Tudo Sobre Xanxerê)


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