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Economia - 02 Dez 2019 15:08

“Aumento do preço da carne veio para ficar”; entenda o porquê

Principal fator apontado para a disparada dos preços é a elevação da exportação de carne bovina para a China
Por: Francieli Corrêa
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“Aumento do preço da carne veio para ficar”; entenda o porquê (Foto: Agência Brasil)

Ter carne de gado na mesa tem custado mais caro para o brasileiro nos últimos meses. O produto sofreu aumento de quase 50% em muitos locais por todo Brasil. Essa alta é causada, principalmente, pelo crescimento da exportação da mercadoria para a China, como explica o vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc), Enori Barbieri. A boa notícia para o consumidor é que os preços devem baixar nos próximos meses; a má é que o aumento deve ficar em torno de 30%.

Segundo Barbieri, com a peste suína africana que atingiu a China e outros países asiáticos, a maior produtora de carte suína do mundo viu quase 60% da sua produção ser dizimada. Sem proteína animal para abastecer a população e sem encontrar em outros países o suficiente, os chineses mudaram seus hábitos e passaram a importar mais carne bovina. Esse aumento de procura levou à diminuição da oferta para o mercado interno brasileiro.

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- Imaginava-se que tentariam suprir a falta de carne de porco com carne de frango, mas eles trocaram por bovinos. Então, aumentou muito a exportação de carne bovina para a China e, além de aumentar, foram habilitados outros frigoríficos. Antes quem dominava a venda era a JBS, que praticamente monopolizava as compras aqui no Brasil. Com a habilitação, outros começaram a exportar para a China e aí não teve boi para todo mundo. Os estoques de carne bovina brasileira diminuíram e a carne começou a subir – explica o vice-presidente da Faesc.

Além do aumento da exportação, Barbieri também aponta a elevação do preço do milho - reflexo da falta do cereal no mercado - e aumento do dólar - que reflete no preço da soja. Ou seja, mais um motivo para a variação do preço da carne é o encarecimento dos insumos.

Preço baixa ao passo que diminui o consumo
Para os próximos meses, a tendência é que haja uma nova oscilação de preços e eles voltem a baixar devido à diminuição do consumo por parte dos brasileiros. Barbieri destaca que o mercado interno é o maior consumidor do produto (oito das 10 milhões de toneladas produzidas), e que o consumidor brasileiro não tem poder aquisitivo para continuar comprando a mesma quantidade de antes.

- Diria que houve uma retração, na última semana, de quase 40% do consumo. Esse aumento dado essa semana não tem suporte para se sustentar. Eu diria, também, que já vai haver uma retração de abate esta semana, porque o mercado interno não aceitou esse aumento. O povo brasileiro tem dificuldade, são 12 milhões de desempregados, são pessoas que não tiveram aumento de salário e o povo não vai continuar consumindo carnes nesses novos patamares. Vamos ter uma redução drástica de consumo e isso vai fazer com que tenhamos um diferencial de preços de bovinos exportados e de bovinos para o mercado interno, que são os de segunda linha, com preços mais baixos – antecipa.

Preços congelados há muito tempo
O vice-presidente destaca que o preço ficou congelado por muito tempo, e agora que faltou produto isso foi corrigido. Segundo ele, a carne bovina aumentou de R$ 150 para R$ 250 a arroba, mas que deve se estabilizar na faixa de R$ 200 para a comercialização no mercado interno.

- Vamos ter uma retração, mas vai continuar alto ainda, mesmo a R$ 200 uma arroba de boi, vamos ter um aumento de 30% em cima dos preços das carnes e são preços que vieram para ficar, porque os estoques de animais estão baixos, o mercado chinês vai continuar importando muita carne, porque está faltando muito, e o brasileiro vai ter que se acostumar com um bife menor – finaliza Barbieri.

Ainda segundo ele, o aumento do preço da carne deve se estender para a carne de porco e de frango e ovos, que passam a ser ainda mais consumidos. 


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