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Comunidade, Educação, Saúde - 18 Abr 2017 10:10

“Baleia Azul”: conversas sobre suicídio devem fazer parte do cotidiano

Por: Carol Debiasi
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“Baleia Azul”: conversas sobre suicídio devem fazer parte do cotidiano (Foto: Divulgação)

Atenção pais! Um sinistro jogo viral tem causado alarme no mundo todo. Trata-se do jogo da Baleia Azul, disputado pelas redes sociais, que propõe desafios macabros aos adolescentes, como bater fotos assistindo a filmes de terror, automutilar-se, ficar doente e, na etapa final, cometer suicídio. O jogo já é o responsável por dezenas de mortes de adolescentes ao redor do mundo e já teve vítimas fatais no Brasil.

No Rio de Janeiro, Minas Gerais e Mato Grosso, locais em que já ocorreram mortes e tentativas de suicídios, a polícia investiga casos envolvendo adolescentes que supostamente teriam conhecido o jogo. Em Tubarão, cerca de 500 km de distância de Xanxerê, policiais evitaram que uma jovem tirasse a própria vida após informar que estaria participando do jogo “Baleia Azul”. Essa preocupação aumentou no ano passado, quando fontes diversas chegaram a divulgar, sem confirmação, 130 suicídios supostamente vinculados a comunidades online identificadas como “grupos da morte”. Em alguns países, como Inglaterra, França e Romênia, as escolas têm feito alertas às famílias, depois que adolescentes apareceram com cortes nos braços, queimaduras e outros sinais de mutilação.

A psicóloga de Xanxerê, Danieli Cristina Bonetti Marció (CRP 12/09218) ressalta a importância dos pais ficarem atentos às atitudes de seus filhos adolescentes e ter um diálogo claro e aberto sobre o assunto dentro de casa. Segundo ela, em setembro também é um mês específico para tratar o tema suicídio.

- Propagado nas mídias, especialmente pelas redes sociais está à associação entre possíveis suicídios de adolescentes e jogo que estaria consistindo em fazer os participantes realizarem diversas tarefas, sendo a última delas o suicídio. A investigação da suposta existência do jogo, bem como de sua relação com as mortes, compete à polícia. Porém, nós enquanto sociedade, não podemos esquecer a temática que está relacionada às reportagens: o suicídio. Inclusive há um mês dedicado ao tema, o mês de setembro, alusivo a cor amarela. Importante, discutirmos o tema, inclusive em vista de que alguns conceitos equivocados acabam impossibilitando, por vezes, o encaminhamento para atendimento especializado das pessoas que planejam ou tentam suicídio, que vem no ato, muitas vezes a única forma de lidar com tamanha dor emocional – explica a profissional.


Seguem algumas das ideias equivocadas em relação ao suicídio:
- “Se eu perguntar sobre suicídio, poderei induzir a pessoa a isso.”
Na realidade questionar sobre ideias de suicídio, fazendo-o de modo sensato, faz com que a pessoa se sinta acolhida, por alguém que se interessa pela extensão de seu sofrimento.

- “Ela está ameaçando o suicídio apenas para manipular ou chamar atenção”.
Estudos apontam que uma parcela significativa das pessoas que se mata, ou que tentam fazê-lo, geralmente declara sua intenção de suicídio para amigos, familiares ou médicos na tentativa de pedir ajuda.

- “Quem quer se matar, mata-se mesmo”.
Essa ideia pode conduzir a um descuido com os aspectos do desamparo, da depressão e de desesperança que a pessoa está sentindo. Na maioria das vezes, ela está querendo acabar com um sofrimento muito grande e no momento, não consegue perceber outra maneira para além de suicidar-se.

- “Veja se da próxima vez você se mata mesmo!”.
O comportamento suicida, infelizmente, exerce um impacto emocional sobre a sociedade. Provoca sentimentos de hostilidade e rejeição. Ter esse tipo de atitude mediante quem tentou cometer suicídio pode impedir de auxilia-lo a perceber outras formas de lidar com a situação.

- “Quem se mata é bem diferente de quem apenas tenta”.
Diversos estudos epidemiológicos demonstram que, vistas em conjunto, as pessoas que tentam o suicídio apresentam características diferentes daqueles que chegam a um desenlace fatal. No entanto, esses achados não devem funcionar como álibi para a pouca atenção dispensada aos que tentam o suicídio, mas não morrem. 

Querer ficar isolado, apresentar tristeza profunda, chorar mais do que o comum, ter alterações no sono e apetite, perder o prazer pelas atividades cotidianas, ter ideias de inutilidade e culpa, visões desoladas do futuro, comentários de que seria melhor morrer, dentre outros, indicam que a pessoa está precisando de avaliação e acompanhamento de profissionais da área da saúde mental, que poderão avaliar se há indícios de ideação suicida e orientar o tratamento adequado ao caso.

Especificamente sobre o temor de que os adolescentes tenham acesso ao referido jogo e acabem com um fim trágico, importante considerar que atividades neste sentido, podem atrair tanto adolescentes que estejam com os sintomas descritos acima, quanto os que são levados pela curiosidade da adolescência de experimentar coisas novas, sentir-se pertencente a um grupo, o que não impede que também se coloquem em situações de risco. Tanto que automutilação constitui-se como comportamento presente em alguns adolescentes, que vem na prática a busca por alívio de dores emocionais, mediante o turbilhão de mudanças da fase, a dificuldade de lidar com as perdas do corpo infantil e da imagem dos pais que até então eram tidos como heróis.

Importante que os pais possam estar presentes na vida dos seus filhos, observando mudanças comportamentais, estando disponíveis para conversar, orientar, demonstrando compreensão. Inclusive necessário ter conhecimento do que o adolescente faz nas redes sociais, a que jogos tem acesso, com quem conversa. Há momentos em que estar por dentro da vida do seu filho, não significa invasão de privacidade, mas sim uma atitude de cuidado.


Recomendações para as famílias
As recomendações se voltam a monitorar o uso da internet, frequentar as redes sociais dos filhos, observar comportamentos estranhos e, sobretudo, conversar e conscientizar os adolescentes a respeito das consequências de práticas que nada têm de brincadeira. Atenção redobrada com os jovens que apresentem tendência a depressão. Também as escolas devem colocar o assunto em pauta e incorporar no currículo, cada vez mais, a educação para a valorização da vida, o respeito pela vida dos outros e o uso consciente das mídias e tecnologias. (Com informações G1)


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