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Bombeiros, Comunidade - 14 Nov 2017 09:37

Cão de Xanxerê conquista maior pontuação em certificação nacional

Por: Aline Tonello
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Cão de Xanxerê conquista maior pontuação em certificação nacional (Fotos: CBMSC)

Na última semana, o soldado Josclei e o cão Iron conquistaram a Certificação Nacional de Cães de Busca e Resgate durante o XVII Seminário Nacional de Bombeiros (Senabom), que ocorreu em João Pessoa, na Paraíba. O binômio faz parte do 14º Batalhão Batalhão de Bombeiros Militar (BBM), situado em Xanxerê. Com a participação de 16 duplas de oito estados, apenas quatro binômios conseguiram a aprovação em todas as provas, e a equipe xanxerense foi a que obteve a maior pontuação final.

A certificação se deu por meio de quatro provas distintas, com o objetivo de avaliar a capacidade das equipes em aplicarem os cães e técnicas no serviço de busca e resgate de pessoas. Mas para que isso se concretizasse foi preciso uma longa trajetória de treinamentos e compromissos. Josclei Tracz é de Cruz Machado, no Paraná, e mora há três anos em Xanxerê, local que escolheu pelo amor por cães e o intuito de associar esta paixão a sua profissão.

- Geralmente quem faz escola de bombeiros, escolhe o local mais próximo de casa para trabalhar, não foi meu caso, que fiquei distante. Escolhi Xanxerê focando no trabalho com os cães. A certificação veio para comprovar a persistência e dedicação nos treinamentos, além de foco nos objetivos, pois em três anos conseguimos certificação do meu cão e companheiro – afirma o soldado.

Formado em medicina veterinária em 2010, o bombeiro conta que o trabalho com o cão para chegar algum dia à certificação, inicia logo nos primeiros dias de vida do animal e segue por aproximadamente um ano e meio. Da ninhada de Iron, dos seis filhotes, dois não foram considerados aptos para seguir os treinamentos.

- Ainda na amamentação são realizadas ações para verificar se o cão é propicio e tem reações que podem o levar a um treinamento, pois tem cães que tem propensão para o trabalho e outros não - comenta.

Essa foi a segunda prova da dupla para certificação. A primeira foi em Tijucas, no Rio de Janeiro, há dois meses. Na ocasião não conseguiram a certificação. Apesar da resposta negativa, Josclei comenta que isso não o desanimou, mas sim o fez repensar as estratégias e alterações necessárias para o próximo teste.

- Geralmente são uma a duas provas ao ano para certificação, o que exige ainda mais dedicação. Tivemos sorte por ocorrer duas tão próximas, então foquei em melhorar, como o ditado: “O que não mata fortalece”. Quando reprovei, percebi os erros e consertei para superar – conta o bombeiro.

As provas
Foram quatro provas distintas, que se iniciaram na quinta-feira (9) de manhã com prova de obediência e destreza, para medir o controle do cão.

- A prova foi às 11h em um piso de asfalto, a maior dificuldade foi o calor, pois era muito quente e o cão queria ir para a sombra, foi bem difícil. Mas de 16 participantes ficamos como terceiro melhor colocado, Iron se saiu muito bem - conta Josclei.

À noite foi realizada a prova de busca noturna com orientação de GPS em mata fechada, uma das mais difíceis segundo Josclei e que exigiu uma ação de companheirismo para alcançar melhor resultado. A prova acontece em uma área de 30 mil a 50 mil metros quadrados, onde é preciso encontrar até três vítimas, em no máximo 30 minutos, com o uso do cão. Mas para chegar ao ponto de busca era necessário percorrer 5 km de caminhada por dentro da mata.

- Eu precisava dele bem fisicamente e ele estava cansado, então para termos um bom desempenho carreguei por um quilômetro o Iron nas costas, mesmo tendo problema na lombar, decidi isso. Foi algo que fiz que, no meu ponto de vista, foi essencial para um melhor desempenho dele, porque as provas exigem muito do cão, assim chegamos e podemos descansar uns 15 minutos – disse. 

A ultima prova, na manhã de sexta-feira (10), foi mais simples, mas cansativa devido ao calor. 

- Tinha trinta minutos e a terminamos em 18 minutos. A primeira vítima Iron achou logo no primeiro minuto. Trabalhou muito bem, foi super técnico” – analisa Josclei.


Impasse

Um ponto de desgaste da viagem foi quanto ao transporte do cão, problema que tem se repetido em todos os casos.

- A empresa aérea que até então estava tudo certo, resolveu ter restrições dois dias antes da viagem. Tivemos que correr atrás de outra empresa rápido e ele acabou sendo enviado no compartimento de cargas, passou doze horas no voo, chegou exausto, com fome, cansado, desidratado. Dai descansou a noite e pela manhã já iniciaram as provas – comenta.

A dificuldade de embarcar os cães nas companhias aéreas já está em discussão em projeto na Câmara dos Deputados. A proposta prevê que se assegure ao bombeiro e ao policial militar, desde que em serviço, o transporte de cão por eles adestrado e da respectiva corporação, na cabine das aeronaves de voos comerciais regulares. A proposta foi apresentada pelo deputado federal Valdir Colatto em dezembro de 2016 e está aguardando análise na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC).

- A aviação brasileira comercial é terrível para o transporte de cães. Há uma dificuldade imensa, foram três tentativas até conseguir o embarque. Precisamos levá-lo de carro até Florianópolis para embarcar porque em Chapecó não conseguimos, e só foi possível através de várias parcerias, pois o custo para transportá-lo inicialmente era absurdo, depois conseguimos baixar, mas tivemos que pagar para levá-lo. No fim a ida deu certo, mas ele chegou atrasado lá, em cima da hora – destaca o major Walter Parizotto, comandante do 14° Batalhão do Corpo de Bombeiros de Xanxerê.

Para a volta, mais problemas no transporte e Iron precisou ficar mais três dias esperando para retornar para casa. Segundo o major, a companhia aérea de transporte de cargas utilizada na ida, exigiu outro tamanho de caixa para a volta, dificultando ainda mais o processo.

Realização
Josclei conta que a felicidade e honra em concluir a certificação é imensa e de extrema importância para que o serviço seja prestado com a maior excelência possível.

- Assim que o juiz falou que poderia parar que havia passado, eu vibrei muito, chorei, comemorei com meu cão, e quando encontrei o grupo foi muito especial, pois se não fosse o grupo, não teria como conseguir. O esforço do major Parizotto foi incrível para enviar o Iron para lá, com ligações, contatos, correria. Agradeço a todo o grupo, pois até nos treinamentos se não tiver quem se esconda para o cão buscar, não existe treinamento – agradece Josclei.

Arbitragem
Outra experiência do evento foi com relação à arbitragem. Essa foi a primeira participação do tenente Alan Delei Cielusinsky, também do 14º BBM, como árbitro auxiliar. Isso porque Alan e seu cão Tchak obtiveram certificação nas duas edições anteriores, e nessa última o bombeiro foi convidado a arbitrar.

- Provavelmente no ano que vem devo ser árbitro oficial, juntamente com outros bombeiros. É um trabalho de bastante responsabilidade, analisando a técnica com a ação dos cães - comenta tenente Alan.

(Folha Regional)

Casarão


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