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Comunidade, Social - 30 Jun 2017 16:07

Coletivo Janete Cassol promove a representatividade feminina no município

Por: Aline Tonello
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Coletivo Janete Cassol promove a representatividade feminina no município Fazem parte do coletivo mulheres e homens de todas as idades (Foto: Divulgação)

Mais de cem pessoas fazem parte do Coletivo Janete Cassol, em Xanxerê. O movimento foi idealizado por três xanxerenses que, preocupadas com a violência que as mulheres sofrem diariamente, muitas vezes sem perceberem, decidiram formar o grupo para promover debates e levar informações às comunidades. A missão é empoderar mulheres e lutar para a desconstrução do machismo que existe dentro de cada um.

A ideia de tornar o coletivo realidade já vinha tomando forma há algum tempo com Bruna Pompermayer, Karen Galvagni e Maiara Maier e foi colocada em prática no início do mês de junho com a realização do primeiro encontro do coletivo.

- Nós sempre tivemos a preocupação com relação a violência contra a mulher, tudo o que a gente lê na internet e, principalmente, quando começamos a pesquisar alguns dados em relação a violência. Quando percebemos que o Oeste de Santa Catarina é a região mais violenta do Estado, a gente começou a ver que tinha que fazer alguma coisa com relação a isso e foi aí que surgiu o coletivo – afirma Bruna.

Segundo Maiara, a criação aconteceu na mesma época em que o Coral Cênico de Mãos apresentou o espetáculo “Elas” durante a exposição fotográfica “Um Olhar Anterior” na Câmara de Vereadores de Xanxerê, que também aborda o tema da violência contra a mulher.

- Isso gerou vários debates e envolveu cerca de 400 pessoas que estiveram visitando a exposição e vendo a peça. E é uma discussão que incomoda e a gente pensa que as pessoas sabem o que realmente é essa violência, mas não sabem. Conhecemos pessoas que são agredidas, que foram agredidas ou que serão agredidas e não sabem de fato quais são as formas de violência. Muitos acham que violência contra mulher é só bater, mas os tipos de violência são maiores, que vão desde o relacionamento abusivo até o fato da mulher ter um salário, mas ser o homem quem administra os bens – explica Maiara.

Karen, Maiara e Bruna explicam sobre o objetivo do coletivo (Foto: Carol Debiasi/Tudo Sobre Xanxerê)Karen, Maiara e Bruna explicam sobre o objetivo do coletivo (Foto: Carol Debiasi/Tudo Sobre Xanxerê)

Escolha do nome
O nome “Janete Cassol” foi sugerido por mulheres do coletivo durante a primeira reunião, algumas delas com a idade que Janete teria hoje, 49 anos. A jovem foi brutalmente violentada e assassinada em Xanxerê em 1988, aos 28 anos, quando retornava do trabalho para casa. Em vida, Janete militava no Sindicato dos Trabalhadores do Comércio e atuava na política local.

- Elas disseram que ela foi uma pessoa que, durante a curta vida dela, esteve envolvida com movimentos sociais, com a luta pelos direitos sindicais das trabalhadoras e dos trabalhadores, mas, principalmente, das mulheres. A forma como ela foi violentada e morta e simplesmente ninguém fez absolutamente nada para saber quem fez aquilo com ela. Ela sofreu uma violência da mesma forma que milhares de mulheres sofrem todos os anos no Brasil e os assassinos dela estão impunes da mesma forma que milhares de assassinos estão impunes no Brasil. Achamos que nada mais justo do que, aqui em Xanxerê, darmos o nome dela para esse coletivo – destaca Maiara.

Feminicídio e impunidade marcam o caso de Janete Cassol. Ao homenagear a jovem, o coletivo mantém vivo sua luta e sua história.

- Como a gente diz, “A Janete está viva, Janete presente”. Então todas as pessoas que se indignam com a forma como ela foi morta e se identificam com as causas com as quais ela lutava também, são pessoas que estão nesse grupo e que, com certeza, quando a gente conseguir abrir um diálogo maior e mostrar, levar para frente à história dela para que outras gerações fiquem conhecendo, a gente sabe que outras pessoas também vão vê-la. Não podemos deixar um caso desses assim impune ou, pelo menos, não pode deixar ele ser esquecido porque fere todas nós e não queremos nos tornar estatísticas. Não queremos que alguém tire a nossa vida, não queremos ser mais uma estatística como tantas outras que, muitas vezes, não chegam nem a ser registradas – enfatiza Bruna.

O coletivo
Participam do grupo pessoas de todas as idades que se identificam com as bandeiras e a luta do coletivo. Para fazer parte basta ter interesse e frequentar as reuniões e ações. É importante destacar que o Coletivo Janete Cassol não tem vínculos partidários, com entidades ou instituições, mas está aberto a fazer parcerias com a comunidade para levar a mensagem de luta até as mulheres.

- A nossa busca é pelo diálogo e que as pessoas reflitam melhor sobre isso. A gente não acredita em radicalismo, tanto que em nosso coletivo temos meninas e meninos desde bem jovens, de 12 anos, até senhoras com mais de 60 anos. A gente começou como um coletivo de mulheres, mas percebendo essa intenção de muitos homens em participar e de tentar ajudar de alguma forma, a gente preferiu dar o nome de coletivo para poder abranger a todos – comenta Karen.

No segundo encontro o coletivo pretende discutir algumas ações os próximos dias. Na segunda-feira (3) o Janete Cassol vai participar, juntamente com a Assistência Social, da programação do ônibus lilás na Linha Cambuinzal. Para o dia 8 de julho estão sendo organizadas atividades de encontro a marcha das mulheres. Além disso, o coletivo ainda pretende, mais adiante, desenvolver curso nas escolas e levar o espetáculo do coral para outros espaços também.

- Precisamos começar a desconstruir o machismo desde as crianças, para que eles não cresçam vivendo isso. A gente vê uma resistência muito grande quando se fala “ela é feminista”, então é justamente nesses espaços e com diálogos que queremos mostrar que estamos tentando descontruir o nosso próprio machismo, porque a gente tem o machismo e o feminismo dentro da gente. E queremos reduzir esse machismo o máximo possível. Ao levar informação para as mulheres, principalmente as vítimas de violência, buscamos encorajá-las para que denunciem e busquem seus direitos, que são garantidos por lei - finaliza Karen.

(Foto: Divulgação)(Foto: Divulgação)


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