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Comunidade, Geral, Social - 13 Mar 2018 11:30

Comunidade do interior acolhe famílias do acampamento Marcelino Chiarello

Por: Aline Tonello
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Comunidade do interior acolhe famílias do acampamento Marcelino Chiarello (Fotos: Aline Tonello/Tudo Sobre Xanxerê)

Com medo de um novo despejo e de que o mesmo pudesse ser violento, na manhã da segunda-feira (12) as famílias do acampamento Marcelino Chiarello iniciaram o processo de mudança de local. Eles, que ocupavam a Fazenda Chapecozinho II, de propriedade da família Prezzotto em Xanxerê, foram acolhidos pela comunidade de Linha São Lourenço, interior do município. O espaço cedido ao movimento fica ao lado da igreja e do centro comunitário, e o acordo firmado entre o Movimento Sem Terra (MST) e os moradores garante que o acampamento fique no local até o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) tomar uma decisão com relação às reivindicações das famílias.

Na manhã desta terça-feira (13), a assessoria de comunicação do MST informou que a busca por outro local ocorreu porque o processo judicial envolvendo a posse de terras da Fazenda Chapecozinho II voltou para sigilo de justiça, “o que significaria novo despejo violento, caso contrário não precisaria sigilo. O diálogo com Brasília segue. A propriedade é do Incra. As famílias seguem lutando pela área, mas não é preciso que as famílias sofram mais violência”.

- Não sabemos qual o tempo que o Incra vai levar para definir a situação, mas esperamos que seja o mais breve possível. Pois não é bom para as famílias passarem novamente pela situação vivida em novembro, psicologicamente e fisicamente também, com a violência, perda de itens, de animais e plantas. O governo tem que resolver, pois tem áreas que são cedidas por proprietários que aguardam há mais de dois anos as decisões do órgão, outras que estão para venda. Precisamos que o superintendente de Santa Catarina, Nilton Garcia, atue como tal e exerça sua função – afirma João Maria de Oliveira, que faz parte da comissão do MST.

Buscando um local seguro para abrigar as famílias, representantes do acampamento entraram em contato com os membros do conselho da Linha São Lourenço, que aceitaram receber os acampados temporariamente.

- Depois que fomos procurados por eles, conversamos com a comunidade e também com a Paróquia Senhor Bom Jesus. Explicamos que será até o Incra resolver a situação, pois não queremos que eles passem novamente pelo o que ocorreu ano passado, pois como igreja, como vamos nos negar a ajuda ao próximo? Então fizemos um acordo com eles, estamos fazendo um documento para confirmar que não foi invasão, que nós cedemos o terreno para eles ocuparem. Queremos deixar claro que não foi invasão, foi uma conversa e decisão em conjunto de ceder o espaço – frisa Roseli Greiner de Menezes, que faz parte do conselho da comunidade da Linha São Lourenço.

O acampamento
São cerca de 400 famílias acampadas e mais de 100 crianças no local. Conforme João Maria, a Prefeitura de Xanxerê já garantiu os direitos básicos para as famílias, como saúde e educação. Todas as crianças vão à escola, inclusive com transporte cedido pelo município.

- A Prefeitura prontamente nos atendeu, já conversamos com o diretor de Agricultura e também com o prefeito. Nós também reconhecemos e agradecemos a comunidade que nos cedeu o espaço e foi solidária. Não temos opção de ir a outros lugares e por isso agradecemos muito. Porque dá bastante trabalho, é um transtorno para as famílias, com carregamento de itens, montagem e desmontagem de barracos. Há mais de 15 dias que as famílias estão comendo somente por doações, porque não tem nada plantado. O que tinha plantado foi destruído em novembro. Se a desocupação não tivesse ocorrido da forma violenta que foi, hoje teríamos nossas plantas para colher – comenta João Maria.

Segundo João Maria, todos que estão no acampamento são cadastrados no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico), obrigatório para se encaixar como assentado. Ao montar o acampamento, as tarefas são divididas por comissões e cada uma tem um líder que é responsável pela organização e andamento das ações.

- Todos aqui se ajudam e são uma grande família, pois há mais de três anos que compartilhamos os espaços. No barraco vivem, às vezes, até cinco famílias, que dividem uma área de 15m² - comenta João Maria.

(Com colaboração de Cristiane Aline Huff/Folha Regional)


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