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Tornado em Xanxerê - 20 Abr 2017 07:02

Especial tornado: “De lá para cá não foi feito nada” afirma Major Parizotto

Por: Carol Debiasi
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Especial tornado: “De lá para cá não foi feito nada” afirma Major Parizotto 20 de abril é um marco histórico para Xanxerê devido a passagem do tornado (Foto: ARQUIVO/Tudo Sobre Xanxerê)

Há dois anos o município de Xanxerê enfrentava uma das piores catástrofes naturais já vivenciadas. O tornado de escala F1, com ventos de até 180 km/h, pegou todos os moradores de surpresa naquela tarde de 20 de abril. De lá para cá, especialistas da área, a exemplo dos bombeiros militares, já esperam pelo próximo evento natural e se preparam para atuar frente a essas catástrofes.

O comandante do Batalhão de Xanxerê, major Walter Parizotto, comenta que a passagem do tornado não pode ser esquecida. Porém, segundo ele, pouco foi feito até aqui para que uma próxima tragédia seja amenizada e, inclusive, evite mortes, além de que a situação atual pode ser considerada pior do que a vivida há dois anos.

- De lá para cá não foi feito absolutamente nada. Eu diria que estamos piores hoje do que estávamos naquela época, e por uma razão: naquela época não sabíamos o que poderia acontecer, hoje nós sabemos e a comunidade sabe. A cabeça das pessoas não mudou e isso é um problema, porque não foi um fato isolado, nós estamos no segundo corredor do mundo mais propenso a tornado. Se antes era uma recorrência de 20 anos, hoje, com essas mudanças climáticas, a gente não pode precisar isso – afirma.


Exemplo dos Estados Unidos
Parizotto cita o exemplo dos norte americanos, que aprenderam a conviver com esses fenômenos naturais e se prepararam para as próximas ocorrências. Nos Estados Unidos, escolas são os pontos mais seguros para essas catástrofes por conta da construção das células anti-tornado.

- Nós temos uma lei no município que fala disso e eu estou vendo a construção de escola, de espaços públicos e, por mais que a gente tenha falado, não temos visto acontecer. Infelizmente somos um organismo preparado para o pós-tragédia, nossa legislação exige que a gente atue na área de incêndio, mas não de tornado ainda, embora eu tenha batido muito nisso, tentado convencer as pessoas que temos que nos preocupar. Hoje, como o cidadão é incapaz de perceber o que pode acontecer lá na frente, o poder público obriga esses cidadãos, por força legal, a terem esse sistema. Nós, que conhecemos e que temos essa consciência, devemos fazer com que esses espaços protejam essas pessoas – frisa.

Major lembra que em 1973, na Argentina, mesmo corredor de passagem do tornado que destruiu parte da cidade de Xanxerê, a escala Fujita foi um F5, com velocidades de vento entre 419 e 512 km/h. Segundo ele, se todas as crianças estivessem ocupando colégios e creches no dia 20 de abril de 2015, a tragédia seria de proporções gigantescas.

- No dia do tornado, sendo um dia normal, que todas as crianças estariam ocupando colégios e creches, que tragédia seria? Então temos que pensar que isso vai acontecer de novo e que pode ser mais forte – comenta.


Preparação da Companhia
Com a tragédia, que inclusive deixou mortos em Xanxerê e vários feridos, o Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina vem se preparando para o próximo tornado.

- A corporação num todo evoluiu muito. Eu assumi a Força Tarefa Estadual e, até então, não tínhamos o foco desastre de origem eólica. Estamos escrevendo uma preparação muito mais amiúde para atendimento de tornado. Quando aconteceu o tornado aqui ficamos às cegas, não conseguimos reportar informações com o resto do mundo. Mas eu, enquanto comandante, não posso esperar acontecer outro tornado para me preparar, eu tenho que planejar hoje. Estamos nos preparando para isso, inclusive construiremos uma estrutura metálica aqui no batalhão para proteger todos os equipamentos de socorro. Estamos investindo severamente em comunicação tanto via rádio ou alternativas parta chegarmos nesses locais e criar uma rede de informação. Nós, enquanto corporação, estamos considerando o próximo e nos preparando para ele. Não podemos deixar as pessoas esquecerem, essa é uma data que precisamos marcar – destaca o comandante.

Comandante do Batalhão, major Walter Parizotto comenta sobre os dois anos da passagem do tornado (Foto: Carol Debiasi/Tudo Sobre Xanxerê)Comandante do Batalhão, major Walter Parizotto comenta sobre os dois anos da passagem do tornado (Foto: Carol Debiasi/Tudo Sobre Xanxerê)

Além da qualificação dos soldados visando esse tipo de evento natural, há também um planejamento para atuar com as crianças.

- Nós queremos ir a todos os colégios e preparar crianças e professores, de como se comportarem diante de um tornado. Já estamos escrevendo um projeto e com alguns colégios em andamento. Quando eu assumi o comando do batalhão em Xanxerê fiz meu planejamento estratégico e coloquei isso como item número um: a preparação das crianças para o enfrentamento de tornados – finaliza.


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