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Xanxerenses pelo Mundo - 27 Jan 2015 07:00

Experiência: jovem conta oportunidade de estudar e passear pela Europa

Por: Leticia Faria
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Experiência: jovem conta oportunidade de estudar e passear pela Europa Jessiane Damian foi em agosto de 2013 para Irlanda e volta a Xanxerê em dezembro de 2014 (Foto: Arquivo Pessoal)

Jessiane Damian é uma jovem xanxerense que aproveitou uma oportunidade: estudar e viajar fora do Brasil. Ela é acadêmica do curso de Medicina Veterinária, da Udesc e, através do programa do governo Federal, Ciência sem Fronteira, passou um ano e quatro meses na Irlanda. Fora isso, conseguiu visitar 14 países pela Europa e conquistou experiências incríveis, que ela relata aos leitores do TUDOSOBREXANXERE.com.br, através do Xanxerenses pelo Mundo.

Dentre as experiências que trouxe nas malas, a jovem destaca a convivência com pessoas diferente, de culturas distintas.

- Conviver com pessoas tão diferentes me tornou alguém mais tolerante e, antes de julgar um comportamento, passei a pensar que cada um de nós está sujeito a realidades diferentes, o que nos torna pessoas tão distintas – salienta.

Confira, aqui, a entrevista completa
TUDOSOBREXANXERE.com.br: Em que país esteve?
Jessiane Damian:
Estive na Irlanda. Mais especificamente em uma cidade de aproximadamente 20 mil habitantes chamada Athlone.

TSX: Qual o período que esteve fora do Brasil?
Jessiane:
Foram 16 meses. Cheguei na Irlanda no fim de agosto de 2013 e retornei em dezembro de 2014.

TSX: Qual o motivo da viagem?
Jessiane:
Sou aluna do curso de Medicina Veterinária da Udesc e participei do Programa do governo Federal, Ciência sem Fronteiras. A princípio havia me inscrito para o edital de Portugal, entretanto ele acabou sendo cancelado e nos deram a oportunidade de optar por alguns países como a própria Irlanda, Austrália, Inglaterra, França, Estados Unidos e Alemanha. O maior motivo da minha escolha foi ter a opção de aprimorar a língua inglesa e sabia que estando na Europa teria a oportunidade de conhecer outros países. Lá estudava em um instituto tecnológico, minha carta de aceite era para um ano de curso de língua inglesa e um semestre cursando enfermagem veterinária. Em dezembro de 2013 decidi realizar a prova de proficiência em inglês e, com a nota que obtive, consegui ingressar na graduação já no próximo semestre. Sendo assim, fiquei um ano estudando enfermagem veterinária e, no período de férias de verão, participei de um projeto de pesquisa do próprio instituto na área de microbiologia.

TSX: Como foi este período fora: muitas viagens (em quais países esteve), turismo, experiências?
Jessiane:
Este foi um período incrível em que pude conhecer lugares novos e conhecer muitas culturas diferentes. Ao total conheci 14 países nos períodos de férias e recessos escolares. Esses países foram: Irlanda, Inglaterra, Alemanha, Polônia, França, Irlanda do Norte, Hungria, República Tcheca, Escócia, Marrocos, Itália, Espanha, Holanda e Bélgica. Em cada país pude conhecer um pouco da culinária, língua e hábitos culturais.

Ainda tive a sorte de estar em um ambiente universitário onde os responsáveis pelos alunos internacionais proporcionavam viagens pela Irlanda, nos permitindo conhecer ainda mais desse país tão acolhedor.

Quanto às experiências, seria difícil colocar aqui todas as mudanças que ocorreram ao longo de quase um ano e meio, mas garanto que foram muitas. Morei desde o momento em que cheguei ao país até maio do ano passado com duas polonesas. Nosso apartamento era um ambiente realmente familiar. Uma delas me convidou para passar o Natal de 2013 com a família dela na Polônia. Foi um dos grandes momentos do intercâmbio, nossas famílias conversaram pelo Skype com a nossa ajuda.
Sobre experiência no ambiente acadêmico o mais notório foi o aprofundamento na língua inglesa. O curso de enfermagem veterinária tem a carga horária expressivamente reduzida comparando com meu curso aqui no Brasil. Porém, os alunos têm muitas oportunidades de serem introduzidos no ambiente profissional, todos os períodos de férias eles têm um momento de estágio extracurricular obrigatório. Uma experiência bem interessante também foi que passamos duas semanas como internas de um colégio agrícola, onde participamos ativamente de aulas de campo.

Com as amigas, na última viagem na Irlanda, em Galway (Foto: Arquivo Pessoal)Com as amigas, na última viagem na Irlanda, em Galway (Foto: Arquivo Pessoal)

TSX: Como conviveu com a língua e a cultura?
Jessiane:
No início foi difícil, fui para lá com um nível básico de inglês. No meu ponto de vista, o diferencial para a evolução da língua foi morar com pessoas de outro país. Em todos os momentos dentro de casa o inglês predominava. O importante é não ter medo de errar e contar com a ajuda de professores e pessoas com o nível melhor que são dispostas a ajudar.

A cultura irlandesa é bem diferente, mas não tive grandes problemas em me adaptar. A alimentação deles não é muito saudável e eles têm como refeição principal o café da manhã, muito semelhante ao café da manhã inglês, e nas outras refeições comem porções menores como sanduíches, porção de batata frita, ou uma minoria salada. Não era difícil encontrar produtos brasileiros ou semelhantes em supermercados.

O instituto conta com uma ampla gama de alunos internacionais, o que nos possibilitou contato com diferentes culturas. Durante as aulas de inglês tivemos colegas da Arábia Saudita e Omã e alguns cursos contavam com alunos da Indonésia, Nigéria, África do Sul, Coréia, China, são mais de 15 nacionalidades diferentes. Além disso, estávamos em um número consideravelmente alto de brasileiros, vindos de todas as regiões, o que me fez conhecer mais sobre nosso vasto país. Conviver com pessoas tão diferentes me tornou alguém mais tolerante e, antes de julgar um comportamento, passei a pensar que cada um de nós está sujeito às realidades diferentes, o que nos torna pessoas tão distintas.

Em Dublin, no dia do padroeiro da Irlanda quando uma multidão verde domina as ruas (Foto: Arquivo Pessoal)Em Dublin, no dia do padroeiro da Irlanda quando uma multidão verde domina as ruas (Foto: Arquivo Pessoal)

TSX: Você orienta outros jovens a buscarem esta experiência?
Jessiane:
Com certeza, desde que retornei enfatizo que oportunidades assim não devem ser deixadas de lado. É uma experiência que nos permite ter valores diferentes, abrir a mente e expandir o conhecimento.

TSX: Com qual lição/aprendizado para a vida você retorna para casa?
Jessiane:
Retornei com a lição de que para qualquer desafio da vida o mais difícil realmente é o primeiro passo. Depois dele tudo se torna mais fácil, por isso não devemos deixar o medo nos dominar e devemos agarrar todas as oportunidades que a vida nos permite com determinação.

TSX: A distância da família atrapalhou; a saudade, como conseguiu lidar com o sentimento?
Jessiane:
Em geral a saudade não atrapalhou pelas facilidades que temos como Skype, que apesar da distância temos a possibilidade de nos manter próximos de quem amamos. O momento em que a saudade predominou foi no período em que o Natal de 2013 se aproximava. Uma data para se comemorar em família, o deslumbramento da chegada já havia passado, era hora de se adaptar a rotina e o inverno rigoroso estava começando. Os dias de pouca incidência de luz e frio contínuo começavam a assustar. Foi aí que passei o Natal com a família polonesa e tive um estímulo para seguir em frente, aproveitar cada dia de forma agradável e aguardar com serenidade o reencontro com a família.

Vista da cidade onde Jessiane morava quando seus pais e avó, que moram em Xanxerê, foram visitar (Foto: Arquivo Pessoal)Vista da cidade onde Jessiane morava quando seus pais e avó, que moram em Xanxerê, foram visitar (Foto: Arquivo Pessoal)

TSX: - Em quais momentos seu pensamento te remeteu a Xanxerê? Alguma situação, alguma cidade que visitou?
Jessiane:
Sempre nos reuníamos entre amigos e ficávamos comentando sobre nossas cidades, nossas vidas aqui no Brasil. Não foram poucas às vezes em que mencionei Xanxerê, contei sobre o X-polenta, o monumento em forma de milho gigante e nosso estilo de vida aqui. Com o tempo eles até estavam deixando de pegar no pé por causa do sotaque “leitEquentE” e já estavam inserindo o “né” em frases.

O estilo de vida em Athlone era semelhante com o de Xanxerê. Uma cidade tranquila onde nada era muito distante, geralmente podendo me deslocar a pé entre o centro e o instituto.

TSX: Todo brasileiro que tem a oportunidade de ir ao exterior relata que a volta ao Brasil é sempre complicada, preocupam-se na readaptação, por inúmeros motivos. Isso aconteceu também com você?
Jessiane:
Eu estava preocupada com o retorno, mas tenho a sorte de ter uma família maravilhosa que me dá todo o suporte necessário. O apoio dos amigos também é muito importante. É claro que me lembro do tempo em que estava lá e da qualidade de vida, mas morando este período fora percebi que todos os países têm seus problemas e que o Brasil tem muitas qualidades das quais senti falta.

Área de convivência social do Athlone Institute of Technology, o instituto onde a xanxerense estudava (Foto: Arquivo Pessoal)Área de convivência social do Athlone Institute of Technology, o instituto onde a xanxerense estudava (Foto: Arquivo Pessoal)


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