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Tornado em Xanxerê - 20 Abr 2017 07:04

Experiência do tornado faz Defesa Civil se preparar para um próximo desastre

Por: Carol Debiasi
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Experiência do tornado faz Defesa Civil se preparar para um próximo desastre Radar meteorológico em Chapecó vai cobrir municípios desde o Meio Oeste até o Extremo Oeste (Foto: Ilustração)

A Defesa Civil de Santa Catarina tem 44 anos de existência, mas suas ações ficaram mais conhecidas na região Oeste, especialmente em Xanxerê, depois da passagem do tornado no dia 20 de abril de 2015. De lá para cá, o órgão estadual começou a planejar, a capacitar e a implantar ferramentas e tecnologias para amenizar os próximos eventos naturais que, segundo especialistas, estão por vir.

Em Chapecó um radar meteorológico é finalizado para precisar ações climáticas, especialmente na abrangência do Meio Oeste até o Extremo Oeste. Além dele, outros dois já estão em funcionamento em Santa Catarina, um situado no Sul e outro na região do Vale do Itajaí. Mas não é só isso que precisa para ter precisão, o que vai desde prever uma catástrofe até atender as vítimas. É necessário ter um planejamento estratégico com ações do estado, mas também com a conscientização da população.

Luciano Peri, coordenador regional da Defesa Civil, explica que o trabalho hoje tem como foco o cidadão, pois é justamente ele que necessita ser protegido em casos como o de 2015 em Xanxerê. Para isso, a estrutura da Defesa Civil de Santa Catarina é melhorada, planos são postos em prática bem como a capacitação da equipe técnica e da própria população, com simulados para se preparar para um próximo evento.

Luciano Peri, coordenador regional da Defesa Civil de Santa Catarina (Foto: Carol Debiasi/Tudo Sobre Xanxerê)Luciano Peri, coordenador regional da Defesa Civil de Santa Catarina (Foto: Carol Debiasi/Tudo Sobre Xanxerê)

- Dentro da Secretaria somos hoje em 72 pessoas, incluindo os terceirizados, para o Estado inteiro e estamos rodando 49 projetos. O nosso foco é o cidadão, pois de nada adianta eu ter todo o sistema do mundo, a melhor estrutura, se eu não tiver a informação chegando na ponta, no cidadão. Se nós fizermos todo um procedimento, tornaremos Santa Catarina resiliente. O processo resiliente vem da engenharia, que é o processo de deformação de um determinado material, mas que volta a sua normalidade. Um exemplo é o tornado, onde as pessoas passaram, enfrentaram um problema, mas conseguiram retornar a sua normalidade – explica o coordenador.


Criação de estruturas para atendimento
Para planejar e efetivar as ações foram montadas duas estruturas: uma delas é o Centro Integrado de Gestão, Risco e Desastre, em Florianópolis, e os Centros Regionais, totalizando 20 em todo estado, inclusive um ponto em Xanxerê. Conforme Peri, com as instalações dos centros, nenhum município de Santa Catarina ficará sem uma resposta, que deve chegar em, no máximo, duas horas.

- A construção do Centro Regional em Xanxerê foi pensada por uma questão estratégica. Nós não podemos ficar de nenhum lugar da regional mais do que duas horas distante de um município para atender. Então em qualquer lugar da minha região eu não demoro mais do que duas horas para chegar até lá. Em Xanxerê o Centro Regional será construído próximo ao Parque da Femi, com previsão para inaugurar em junho – frisa.

Centro Integrado de Gestão de Riscos e Desastres de Santa Catarina - CIGERDCentro Integrado de Gestão de Riscos e Desastres de Santa Catarina - CIGERD


Projetos em andamento
Como a resposta imediata da Defesa Civil precisa ser facilitada, projetos criados para atender os municípios já são colocados em prática, como o kit de transposição de obstáculos, no qual é possível montar uma ponte em algumas horas, além das casas modulares, que inclusive foram construídas para beneficiar as famílias de Xanxerê que perderam suas moradias.

Outro projeto que ainda está como piloto é o alerta por SMS, sendo que na região Oeste o município de Ponte Serrada foi contemplado neste primeiro momento. Conforme o coordenador regional, a partir de julho todos os municípios também passarão a contar com os alertas por essa ferramenta.

Uma inovação, sendo o primeiro estado do Brasil a conseguir, é o Google Now, um sistema de alerta público aonde as instituições de segurança podem emitir alertas informando através de mapa os desastres naturais como enchentes, alagamentos, dentre outros.

- Nós fomos o primeiro estado no Brasil a fechar essa parceria com eles para emitir esses alertas na plataforma Google. A pessoa pode se cadastrar e no futuro o usuário receberá isso no celular de forma georeferenciada. Nós vamos mapear 100% dos municípios de Santa Catarina. Seremos o primeiro estado brasileiro a ter 100% de mapeamento porque eu preciso saber qual é o meu problema. Então esse mapeamento não terá custo aos municípios, a Defesa Civil que irá custear esse mapeamento porque precisamos entender o que é para depois fazer as ações – explica.


Planejamento da Defesa Civil
Para que todo o trabalho da Defesa Civil tenha um resultado satisfatório, é preciso planejar. Conforme Peri é necessário avaliar o que se tem hoje e que deve ser melhorado para um próximo evento. Com base nisso, capacitações de agentes municipais são realizadas, adequações na legislação com poder de polícia administrativa, planos de contingência, planos de ação emergencial, planos de auxílio mútuo, planos de redução de risco, planos de gestão de riscos de estiagem, sistema integrado de Defesa Civil, sistema de gestão de risco de desastres, padronização dos protocolos, capacitações, trabalho nas escolas, realização de simulados de desastres, dentre outras ações.

- Padronização dos protocolos de ações emergenciais é de suma importância para termos confiabilidade nas informações, até porque precisamos minimizar os riscos para um próximo evento natural, porque vai acontecer, além de trabalhar com a conscientização. A educação básica que é a Defesa Civil nas escolas, queremos injetar a semente na educação para as próximas gerações. Estamos trabalhando muito na área de prevenção, qualificando as informações. O problema que eu considero mais difícil é cultural, porque não temos uma cultura prevencionista, nós achamos que o incêndio acontece só na casa do vizinho – finaliza.


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