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CORONAVÍRUS , Comunidade, Saúde - 28 Jul 2020 18:56

Linha de frente: fiscal que contraiu coronavírus fala sobre sintomas e isolamento

Por: Francieli Corrêa
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Linha de frente: fiscal que contraiu coronavírus fala sobre sintomas e isolamento (Fotos: Arquivo Pessoal)

O número de vítimas do novo coronavírus não para de crescer. Recentemente, Xanxerê registrou um rápido aumento na quantidade de óbitos, incluindo pessoas que não faziam parte do grupo de risco. Sem vacina, nem outros medicamentos próprios para combater a Covid-19, a única forma de proteção efetiva já conhecida é evitar o contato com a doença e diminuir a proliferação do vírus. Nessa missão, alguns profissionais precisam se expor, e muito, para garantir que todos cumpram as normas sanitárias, além do atendimento aos pacientes. 

Desde o início da pandemia, profissionais da área da saúde atuam como linha de frente no combate ao coronavírus. Alguns saíram das funções que ocupavam, para trabalhar na equipe de resposta, como é o caso da técnica em saúde bucal, Franciele Rama, de 34 anos, que desde março atua na fiscalização relacionada à Covid-19, em Xanxerê. Diariamente na rua, orientando a população e presenciando casos de aglomeração e outros descuidos, neste mês ela acabou contraindo o vírus e após dias de isolamento e vários sintomas, apenas nesta terça-feira (28), pôde retornar ao trabalho.

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Franciele conta que começou a apresentar sintomas entre o dia 11 e 12. Sentia muito cansaço, mas no início atribuiu a fadiga à rotina dos últimos meses, até que chegou a desmaiar enquanto trabalhava. No dia 14 ela procurou o atendimento, foi colocada em isolamento e partir daí surgiram outros sintomas, como falta de paladar, dor de cabeça e a falta de ar, que ainda permanece, só que com menos intensidade – sequela da doença. Seu exame foi coletado no dia 16, mas o resultado chegou só ontem (27), um dia antes de voltar ao trabalho.

- Eu não sinto ainda gosto e nem cheiro. Atividades como correr e caminhar rápido ainda não dá. Ainda me sinto cansada e sinto falta de ar, mas bem pouco agora. Segundo os doutores vai voltando ao normal aos poucos. A dor de cabeça senti todos os dias, ela parou no sábado (25), tanto que era para eu retornar na segunda, mas retornei só hoje, porque segundo o protocolo, tem que estar há 72 horas sem os sintomas. Também tive vômito e dores fortíssimas no peito, meu peito chegou a inchar e fiquei com os pulmões sobrecarregados, precisei tomar remédio para eles dilatarem. Não tomei a cloroquina, não quis. Mas tomei cinco medicamentos receitados pela doutora Ana Lago, que me atendeu muito bem - conta Franciele.

Ela mora apenas com o marido, que também precisou ficar em isolamento domiciliar. Mas, segundo ela, apesar do convívio, o homem de 43 anos, não contraiu a doença, conforme apontou o teste rápido feito ontem. Com a experiencia de quem atua no combate ao vírus e agora como sobrevivente, Franciele pede para que os xanxerenses fiquem mais atentos aos cuidados para evitar a doença e quem puder, que fique em casa.

- Eu já era cuidadosa, porque eu sou da saúde e quem é da área geralmente não está se descuidando, porque a gente sabe que é sério. Quando chega a tua vez, você percebe o quanto é difícil ficar num isolamento. O meu conselho é que as pessoas têm que levar a sério. Vão esperar chegar a vez delas? Eu me cuidei, eu cuido de todo mundo e quase morri, foi uma sensação de que eu ia morrer, não sei explicar, é uma sensação horrível. A gente percebe que o vírus veio para matar e ele vai matar muita gente ainda. Eu chego hoje para trabalhar e as minhas colegas relatam que no plantão do final de semana tinha gente na Femi fazendo festa. Depois essas pessoas vão para casa, vão para a casa dos avós e não se importam com nada. Infelizmente vai ocorrer o que a gente temia, as pessoas só vão sentir quando chegar na família delas. Infelizmente quem não aprender pelo amor, vai aprender a se cuidar pela dor. Porque quando chegar na família vai ser pela dor e dói – alerta.


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