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Comunidade, Opinião - 30 Nov 2017 07:59

Movimentos sociais repudiam despejo do Acampamento Marcelino Chiarello

Por: Aline Tonello
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Movimentos sociais repudiam despejo do Acampamento Marcelino Chiarello KEZvdG86IEp1bGlhbmEgQWRyaWFuby9NU1Qp

Na quarta-feira (29) uma operação militar foi mobilizada para a Linha Vargem Bonita, divisa entre Xanxerê e Faxinal dos Guedes, onde viviam as famílias do acampamento Marcelino Chiarello. Com policiais, bombeiros, apoio de órgãos estaduais e federais e helicóptero da Polícia Civil, a ação visou despejar as cerca de 180 famílias acampadas que moravam na área há um ano e meio. A execução da liminar para a desocupação foi concedida pela juíza federal de Chapecó. Em repúdio ao ocorrido, movimentos sociais de Xanxerê, região e do Brasil divulgaram uma nota. Confira o texto na íntegra:

“Nós, membros de movimentos sociais organizados em uniões, associações e coletivos, repudiamos a ação truculenta ocorrida hoje, quarta-feira 29 de novembro de 2017. Na qual a polícia militar, com tropa de choque e cavalaria cumpriram liminar da justiça federal de Chapecó e despejam as 180 famílias que viviam no Acampamento Marcelino Chiarello, em Xanxerê/Faxinal dos Guedes/SC.

Apesar da área ser pública e de propriedade do INCRA, a juíza atendeu a demanda de uma rica família da região.

Ao longo do tempo, o Acampamento Marcelino Chiarello mostrou à nossa região que é possível resistir, lutar e trabalhar na construção de uma sociedade melhor. Evidenciando a função social que se estabelece na terra, seu cultivo, sem agressões industriais, de predominância sustentável, valorizando os distintos modos de vida como direito inalienável.

Durante a manhã, de modo furtivo e autoritário, o judiciário e a polícia mais uma vez desempenharam o papel de guarda-costas de uma elite falida e corrompida.

Com grande aparato policial, de modo ostensivo, a polícia despejou as 180 famílias do acampamento e destruíram parte dos pertences das pessoas, além de plantações e toda a alegria cultivada dia após dia naquele acampamento. Reiterando, entre os atingidos estão jovens e crianças em período escolar, outros ainda em idade de colo: expostas a esse tipo de ação, são privadas de seus direitos básicos, como a educação e o cuidado.

Ao passo que os níveis de vulnerabilidade social desses indivíduos, atingem patamares ainda mais violentos, compreendemos que violar a subsistência da pessoa humana, é o ato mais perverso que pode existir em uma sociedade de direitos, o que demonstra a necessidade de vigia constante dos movimentos sociais.

Esse tipo de abordagem agride a dignidade humana em todas as instancias, com precedentes que refletem diretamente na saúde e no desenvolvimento dessas pessoas.

Renegar a sobrevivência social de alguém, afim de cumprir interesses pessoais e de ordem privada, é uma realidade cada vez mais presente na conjuntura política que se desenha em nosso país.

Cientes do contexto, com sentimento de repulsa, porém de luta e de apoio. Nós, ativistas de defesa dos direitos e da dignidade humana, militantes, estudantes, trabalhadoras e trabalhadores, cidadãs e cidadãos, deixamos aqui o nosso repúdio à liminar da justiça federal de Chapecó e à ação policial duramente realizada hoje.

Marcelino Presente!

Xanxerê, 29 de novembro de 2017

Assinam essa nota:
- Coletivo Janete Cassol.
- União Nacional LGBT de Xanxerê.
- União Nacional LGBT de Chapecó.
- Frente Brasil Popular.
- ASMAI – Associação de Assistentes Sociais dos Municípios do Alto Irani.
- UJS - União da Juventude Socialista.
- UBM - União Brasileira de Mulheres.
- NUCRESS Oeste - Núcleo de Conselho Regional de Serviço Social do Oeste de SC.”


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