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Bombeiros, Comunidade, Geral, Meio Ambiente - 13 Set 2017 16:53

Queimadas de agosto superam em 32% os registros no mesmo período de 2016

Por: Aline Tonello
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Queimadas de agosto superam em 32% os registros no mesmo período de 2016 (Foto: Alessandra Villani/Tudo Sobre Xanxerê)

O mês de agosto é conhecido pelos ventos fortes e altos índices de incêndios em vegetação, as queimadas. Essa prática é antiga e os indígenas utilizavam de forma constante a “coivara”, como é chamada por eles, para limpeza do solo. Segundo relatório do Corpo de Bombeiros, o mês fechou com 37 incêndios florestais em Xanxerê, 32% a mais que em 2016.

Na região amazônica, de cerrado e no Sul do Brasil, a ação é mais intensa. No Sul, segundo o engenheiro agrônomo doutor Júlio César Pires Santos, a queima aparece como forma de manejo das pastagens, sendo amplamente difundido em SC e RS, aonde o fogo vem sendo utilizado há tanto tempo que se tornou uma questão cultural.

Sob o ponto de vista agronômico, o também agrônomo Anderson Cunico comenta que a queimada destrói com a fauna microbiana do solo e queima a palhada protetora, o que acaba com a matéria orgânica, pois elimina nutrientes fundamentais às culturas vegetativas, como o potássio, fósforo e nitrogênio, matando também microrganismos que auxiliam no desenvolvimento de certas plantas. A umidade do solo também é alterada com a queima. O solo fica mais compactado, desencadeando a erosão do solo.

Segundo o analista técnico em gestão ambiental e geógrafo na FATMA, Alessandro Antoniolli, entre o outono e início da primavera as ocorrências de queimadas são mais comuns devido ao clima mais seco, mas o fator humano ainda é o maior causador.

- Geralmente as queimadas ocorrem por intervenção humana, na queimada de pastagens dessecadas por veneno, roçadas e com posterior queimada de galharia, queimada de simples vegetação seca para limpeza de área. Na região, sem intervenção humana, é difícil haver uma queimada, porém, descargas elétricas e curtos circuitos em ramais de energia mais antigos podem remotamente originar queimadas – explica em entrevista para o jornal Folha Regional.

Segundo o tenente do Corpo de Bombeiros de Xanxerê, Alan Delei Cielusinsky, em julho deste ano foram atendidos 140 ocorrências de incêndio em vegetação na regional do 14° Batalhão de Bombeiros. Destes, 28 em Xanxerê. O número, segundo ele , é elevado, mas esperado para a época.

- O que variam os números são as condições climáticas. Ano passado foi um período com mais chuvas e menos casos de incêndio. Neste ano, com a forte geada, secou completamente a vegetação e ainda as chuvas foram menores, fazendo com que os casos aumentem – explica.

Número de queimadas em XanxerêNúmero de queimadas em Xanxerê

O tenente ainda pontua que os casos mais frequentes são queimadas em beira de estrada e em terrenos baldios, que acabam se alastrando, e cerca de 30% são em plantações e/ou reflorestamento. A comprovação do ato da queimada ainda é um problema, pois segundo tenente Alan, em pelo menos 99% dos casos não descobrem quem iniciou o fogo.

- Especialmente quando a pessoa que iniciou perde o controle e o fogo se alastra. Isso dificulta a comprovação da origem, se foi provocada criminosamente ou de forma acidental e seu responsável – destaca.

Consequências
Não é só o solo que sofre com a agressividade do calor das queimadas, o problema se estende para a fauna e arredores.

- Problemas como inversão térmica são decorrentes de queimadas. A alteração no tempo/clima durante o período das queimadas são algumas das questões que atingem toda a sociedade e estão relacionadas ao meio ambiente – comenta tenente Alan.

Na fauna, as queimadas afugentam as espécies de animais que vão procurar espaço em outros habitats e gerando desequilíbrio ecológico. Os próprios animais, como aves, suínos, gado leiteiro e de corte, que são práticas agropecuárias comuns em nossa região, sofrem interferência tanto da fumaça, quanto do aumento do calor nos dias de queimadas.

Na sociedade, as pessoas que sofrem com doenças respiratórias são as mais atingidas, podendo inclusive piorar casos clínicos. Ardência nos olhos, nariz, respiração mais pesada, são normais quando a pessoa está próxima à área de interferência da fumaça que as queimadas geram.
Alan destaca algumas indicações para se prevenir os incêndios, como não deixar mato acumulado perto das residências.

- Se tem mato seco, retira, carpe, para não ser um espaço em potencial risco. Evite também o acumula de lixo e queima dele – orienta.

Como as proporções do fogo em mata podem facilmente se expandirem, Alan explica que a partir do momento que iniciou o incêndio florestal, dificilmente alguém vai conseguir conter, por isso é importante sempre chamar o bombeiro e não tentar conter por conta própria pois, com a vegetação seca e o vento, o fogo se alastra rapidamente.

- Como o efetivo é menor, temos dificuldade em agir rapidamente, pois isso também a importância de, assim que avistar o foco, já entrar em contato com os bombeiros para mais rápida contenção – finaliza.

 


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