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Educação, Geral, Social - 09 Mar 2018 15:05

Respeito ao tempo de cada criança é essencial à adaptação na escola

Compreensão, carinho e paciência definem o primeiro mês de aula, segundo coordenadora pedagógica
Por: Aline Tonello
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Respeito ao tempo de cada criança é essencial à adaptação na escola (Foto: Cristiane Aline Huff/Folha Regional)

O choro é comum. Quem passa pelas creches e escolas nos primeiros dias de aula pode achar até estranho, mas a situação faz parte da rotina inicial de volta ou inserção à escola. Para tornar esse período o mais agradável e aceitável possível, a coordenadora pedagógica e orientadora educacional do turno matutino do Colégio La Salle Xanxerê, Fabíola Zwicker Wustro, e a psicóloga e terapeuta familiar Melina Bongiorno indicam algumas ações para melhor adaptação das crianças e dos pais, que também sofrem com este período.

O início do ano letivo, principalmente o primeiro ano da criança na escola, é um momento novo, de adaptações e descobertas, tanto boas como ruins, e tudo que é novo gera sensações de ansiedade, expectativa e, por vezes, medo. Por isso, segundo Fabíola, os pais devem se preparar e preparar seus filhos para o ano letivo com muita conversa, iniciando muito antes do primeiro dia de aula. Aliada a conversa, algumas atitudes podem auxiliar ao processo como a utilização de algum objeto pessoal pela criança como nanas, chupetas, cobertor. Estes itens, segundo ela, podem elevar o sentimento de acolhida da criança na escola, trazendo mais confiança e melhor aceitação.

- Essa adaptação é um momento de separação da criança de ambiente conhecido para algo novo, isso gera uma ansiedade pela antecipação que ameaça o futuro. Muitas coisas passam pela cabeça das crianças: “será que a professora é legal? Será que não? Minha mãe não me ama mais, porque ela fez isso comigo?”. Neste momento entra o trabalho do professor que, nestas horas, deixa um pouco a didática de lado e trabalha o aconchego, explicando que a mãe ama sim, que é por isso que ele está no colégio, que ele vai aprender e fazer amiguinhos -  comenta Fabíola. 

Melina completa dizendo que o sentimento do novo assusta até nós adultos, que sabem como o mundo funciona, mas mesmo assim passam por momentos de ansiedade, expectativas e medo. Então para uma criança que está descobrindo o mundo e seu maior porto seguro são os pais e sua casa, aceitar que está em um lugar diferente e que os pais não o acompanharãoé um sentimento difícil, mas que vai, com incentivo, se tornar um sentimento bom.

Sugestões para adaptação

Segundo Fabíola, para melhorar este processo é crucial que os pais confiem na escola que escolheram para educação dos filhos. Outras dicas são:
- Incentivar os filhos a irem. “Mesmo que a criança chore, que sabemos que vai, o deixe ir. É um cordão umbilical que se corta, então para os pais também não é fácil, mas é necessário”.
- Respeitar o tempo da criança. Cada uma é diferente por isso é preciso respeitar e evitar comparações com o filho dos outros.
- Preparação da rotina familiar. “Busque a inclusão da criança nas atividades ligadas a aula, como o arrumar dos materiais na mochila, do lanche, na troca do uniforme torne isso algo bom”.
- Apoio. “Incentive e mostre entusiasmo, dizendo que amanhã você vai à escola que lá é um lugar bom”.
- Criar uma afinidade da criança com a professora.
- Explicar as principais mudanças. “Definir que a criança vai ficar aos cuidados da professora e no horário marcado, o pai ou a mãe vem buscar e não se atrasar”.
- Validar o sentimento de dor. Validar o sentimento é fundamental, mas também incentivar dizendo que é dolorido, mas que é necessário e que vai passar.
- Nunca mentir.
- E para os pais, controlar a ansiedade.

- É importante os pais deixarem claro que irão sempre voltar para buscar a criança, pois nesse momento algumas crianças sentem uma angústia de separação muito grande e pensam que serão abandonadas, este é um dos motivos para as crianças se agarrarem nos pais e chorarem. E é de suma importância que os pais não cheguem atrasados para buscar a criança nos primeiros dias, para que estas não fiquem inseguras. Por outro lado, é importante que os pais não transpareçam as suas angústias para seus filhos – explica Melina. 

A orientadora Fabíola explica que após todo o procedimento se a criança continuar chorando, o que são casos raros, os pais devem ser fortes e não ceder a levar a criança para casa, pois se cria assim uma associação do choro com a conquista de ir para casa.

- Por mais que seja doloroso, não levar para casa. Os pais devem deixar a criança na escola e ir, se necessário fica aqui na sala da direção aguardando, depois de meia hora, uma hora se o choro continuar, a escola liga e os pais voltam. E isso é necessário, pois por experiência, se o pai levar uma vez, a criança associa e torna a acontecer - comenta Fabíola.

Sobre a idade de inserção na vida escolar e as críticas que muitas vezes os pais sofrem por esta decisão, Melina comenta que não existe idade certa para iniciar.

- Existe o que é melhor para a criança naquele momento. É importante que os pais, independente da idade dos filhos, tenham um bom vínculo com a escola, que possam analisar e avaliar as atividades propostas aos filhos e também fazer sugestões e críticas. Os pais são as pessoas mais adequadas para medir os prós e contras de colocarem seus filhos na escola, como também da idade que estes devem iniciar seus estudos e socialização – finaliza Melina. (Folha Regional)


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