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Comunidade, Saúde - 14 Set 2019 09:10

Setembro Amarelo: vamos falar sobre suicídio

Vítimas dão sinais de que podem tirar a própria vida. Especialista explicam como ficar atento
Por: Francieli Corrêa
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Setembro Amarelo: vamos falar sobre suicídio (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, a cada ano, cerca de 800 mil pessoas cometem suicídio. Isso significa que as mortes ocorrem em intervalos de menos de um minuto, sendo essa a segunda principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos, no mundo. Os números assustam ainda mais se for levado em consideração que a cada adulto que se suicida, pelo menos outros 20 atentaram contra a própria vida. Segundo o Ministério da Saúde (MS), no Brasil foram registrados mais de 11 mil suicídios em 2016.

Estudos também apontam que 17% dos brasileiros já pensaram em cometer suicídio, pelo menos uma vez ao longo da vida.  De acordo com o MS, o fenômeno é complexo e pode ser influenciado por diversas motivações. Mas existem fatores de risco, como o acesso a meios de atentar contra a própria vida, dificuldade em lidar com estresses e sofrer violência baseada em gênero, abuso infantil ou discriminação. O estigma social sobre o tema também é um problema, porque desencoraja a procura por ajuda.

Segundo profissionais que atuam diretamente com as vítimas, é preciso falar de forma aberta e responsável sobre o tema, e tornar a informação um fator de prevenção. Para a psicóloga Karise Woiciechoski, de Xanxerê, há uma linha tênue entre estimular ou não o ato, conforme a abordagem dada.

- O mais importante é falar sobre o suicídio no sentido de prevenção. Manter o tema como um tabu é algo que pode acabar abafando, quando esses casos existem. As pessoas estão em sofrimento e é preciso falar em métodos de prevenção e até em relação a restituir a esperança das pessoas que possam estar tendo esses pensamentos. Quando a mídia oferece soluções do que a pessoas pode fazer quando passam por isso, ela tem um papel fundamental – explica.

Woiciechoski destaca ainda que o sensacionalismo e a própria glamourização que às vezes é criada em alguns casos, podem acabar estimulando algumas pessoas a fazer a mesma coisa. Por isso, se condena a divulgação de detalhes e principalmente de fotos das cenas de suicídio. Para ela, ao noticiar fatos do tipo, o mais importante é focar no que estava acontecendo com a vítima antes e como pessoas que passam por situação parecida podem ser ajudadas.

Suicídios na região de Xanxerê
De janeiro de 2017 ao dia 25 de agosto de 2019, o Instituto Médico Legal (IML) de Xanxerê registou 50 casos de suicídio na região, sendo que são atendidos 13 municípios. Somente em Xanxerê foram 19 casos. Segundo os dados do IML, 70% eram homens.

Em 2019, até a data citada, 15 pessoas haviam morrido por suicídio na região (11 homens e quatro mulheres). Em Xanxerê foram cinco casos (quatro homens e uma mulher).

Vítimas dão sinais antes de tirar a própria vida
Segundo a psicóloga do Hospital Regional São Paulo, Eliandra Solivo, 80% das pessoas que morrem por suicídio falam, de forma direta ou indireta, que vão atentar contra a própria vida. Alguns sinais só são entendidos pela família depois que o fato aconteceu, mas às vezes essas pessoas pedem ajuda e tem seu problema minimizado por quem está próximo.

- É preciso ficar atendo a questões que podem alertar, como isolamento social, mudança de humor, frases especificas que elas começam a dizer, às vezes bilhetes ou cartas. A pessoa pode começam a se desfazer das suas coisas, querer tudo organizado. São sinais que você pode observar. A grande parte pede ajuda e, muitas dessas, se a gente conseguir ajudar, vai reverter o quatro. Então, não julgue, não minimize o sofrimento dessa pessoa, não diga que a pessoa fala e não faz, porque isso é mito. As pessoas falam porque estão precisando de ajuda – comenta Solivo.

Como quem está próximo pode ajudar
A empatia é algo muito importante nesses casos. Quando uma pessoa mostra à outra que está disponível para ajudá-la e aberta a conversar sobre o que ela está passando, é uma forma de evitar que quem está sofrendo possa tomar uma medida drástica. Segundo Karise Woiciechoski, frases de julgamento tendem a potencializar a dor e desencorajar a vítima a procurar ajuda. 

- O importante nesse momento é mostrar para a pessoa que “Eu estou aqui com você e você pode contar comigo”. Esse acolhimento, ao invés de repreender é mais importante do que tudo, para que a pessoa possa se sentir acolhida – afirma.

Ela também afirma que é importante tomar a iniciativa de perguntar para quem está depressivo o que está acontecendo e intermediar a consulta dela a um especialista que possa ajudar.

- A pessoa que está passando por esse momento, está em sofrimento extremo. No momento em que ela começa a ter uma ideação da própria morte, ela está em profundo desespero, em profundo sofrimento. Então, nesses casos ela precisa de ajuda, porque às vezes nem as faculdades mentais dela estão funcionando plenamente, a capacidade de planejamento de organização mental às vezes está toda comprometida.

Você não está sozinho, peça ajuda!
Solivo salienta que sentir-se triste é algo normal, principalmente em situações que envolvem a perda de alguém querido. A psicóloga também diz que muitas pessoas pesam em sua finitude, mas que desejar estar morto não é algo normal. Segundo Woiciechoski, as pessoas podem ficar atentas a si mesmas e que não devem deixar o problema se agravar e muito menos ter vergonha ou receio de pedir ajuda. É preciso deixar de achar normal o sofrimento.

- A gente se conhece, então no momento em que eu estou notando oscilações de humor, que eu não tenho mais ânimo para viver, que não tenho mais energia, que começo a achar que sou um peso na vida das pessoas, ou achar que o mundo seria um lugar melhor sem mim. Eu preciso saber que pensar sobre isso não é normal e que talvez tenha uma condição, uma doença que esteja me fazendo produzir esses pensamentos – explica. 

Segundo a psicóloga, depressão é um desiquilíbrio neuroquímico do cérebro, que pode produzir pensamentos invasivos e muitas vezes incontroláveis em relação ao suicídio. Por isso, precisa ser tratada com auxilio de medicamentos.

- A gente precisa desmistificar que a depressão é uma doença emocional, ela é uma doença física.  Apesar de ela afetar o humor, tem substâncias cerebrais que estão desreguladas e que precisam ser tratadas - disse.

Logo da campanha Setembro Amarelo Logo da campanha Setembro Amarelo

Setembro amarelo - prevenção do suicídio
O Setembro Amarelo é uma campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio. O objetivo é associar a cor ao mês que marca o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio (10 de setembro). Como forma de informação e engajamento da população para a o tema, ações são realizadas em todo o país. Em Xanxerê, no dia 10, o CVV vai realizar uma distribuição de materiais informativos no centro da cidade. 

Centro de Valorização da Vida
Muitas pessoas entre profissionais e voluntários estão engajados em ajudar pessoas que passam por situações que podem levar a tirar a própria vida. O Centro de Valorização da Vida (CVV) é uma das ONGs mais antigas do país, que atua no apoio emocional e na prevenção do suicídio por meio do telefone 188, e também por chat, e-mail e pessoalmente. A voluntária Rosale Metller, de Xanxerê, destaca que diariamente são atendidas pelo CVV cerca de 10 mil ligações de todo o Brasil, numa média de 12 mil ligações recebidas.

A abertura de um posto do CVV está em processo de finalização em Xanxerê. Segundo Metller, assim como ela e outros voluntários que se disponibilizaram a fazer parte da equipe, é preciso que mais pessoas queiram participar e garantir que em breve nenhuma chamada seja perdida. Assim como as psicólogas, ela também defende que é preciso conversar sobre o tema com quem está precisando de ajuda e pede para que as pessoas não hesitem em ligar para o 188 quando não estiverem bem.

- As pessoas têm que conversar. Se a vítima não quer conversar com a família, não tem problema, mas que ela consiga tomar a atitude de ligar para alguém e, às vezes ela vai ligar não vai falar nada, mas a pessoa que está do outro lado vai saber conduzir. Nós temos ligações em que as pessoas ouvem e não falam nada e depois agradecem, são experiências bem interessantes. É preciso falar, colocar para fora os sentimentos, o que está deixando essa pessoa triste, porque o suicídio ele tem uma causa e geralmente ela é de longa data - destaca.

A voluntária enfatiza que o serviço oferecido pelo CVV é gratuito e sigiloso. Além disso, a chance das ligações caírem na própria cidade de onde partiram é muito pequena. Para ser voluntário é preciso fazer um curso e escolher quantas horas consegue oferecer por semana. O posto de Xanxerê deve começar a atender em breve, com uma faixa de horário. Interessados em se voluntariar podem entrar em contato com integrantes do CVV aqui da cidade, como a Rosane.


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