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Comunidade, Esportes - 29 Nov 2017 09:27

Um ano de saudade: xanxerenses falam sobre ascensão da Chape após tragédia

Com a campanha #forçaChape, torcedor teve papel fundamental na reestruturação do clube
Por: Aline Tonello
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Um ano de saudade: xanxerenses falam sobre ascensão da Chape após tragédia (Foto: Rafael Bressan/Chapecoense)

Nesta semana, as orações e homenagens para a Chapecoense ganham força. Hoje (29) completa um ano que o avião que levava o time catarinense para disputar a final da Copa Sul-Americana caiu na Colômbia. A maior tragédia aérea do esporte mundial vitimou 71 pessoas entre jogadores, membros da comissão técnica e da diretoria do clube, jornalistas, convidados e tripulantes. Com os sobreviventes – três jogadores, um jornalista e dois tripulantes - veio a força para o difícil recomeço de familiares, amigos e do próprio time. A data que marca 12 meses de dor e saudade também traz consigo a emoção de ver a Chapecoense se reerguendo e surpreendendo até o torcedor mais otimista. Torcedor esse que se junta a um coro de #forçaChape e que tem movido o time sempre para frente.

A classificação da Chapecoense para a final da Copa Sul-Americana em 2016 contra o Atlético Nacional, de Medellin, foi a maior glória nos 44 anos de história do Verdão do Oeste. Com a tragédia, reorganizar uma diretoria e um time que não existiam mais em meio ao sofrimento e a comoção mundial foi um dos momentos mais difíceis vividos por Darci José Moter, um dos 200 conselheiros da Chape.

- Ano passado logo após a tragédia foi remontada a diretoria, tudo de uma hora para a outra, no meio da angústia de ter perdido tantos amigos, mas precisou ser feito e deu tudo certo. Agir no meio da tragédia foi muito difícil e até hoje é complicado nas reuniões, pois ficamos imaginando os amigos que não estão mais ali, eu fico emocionado só de falar sobre isso – conta Darci.

Darci se emociona ao falar sobre a Chapecoense (Foto: Aline Tonello/Tudo Sobre Xanxerê)Darci se emociona ao falar sobre a Chapecoense (Foto: Aline Tonello/Tudo Sobre Xanxerê)

Há cerca de cinco anos no cargo, o xanxerense destaca que o sentimento de perda ainda é o mesmo, mas a reestruturação da equipe e o apoio inabalável do torcedor traz forças para a time continuar.

- Se não fosse o torcedor, já nem existia mais a Chapecoense. Hoje a torcida está animada por causa da volta por cima do time e também porque o time foi adotado por todo o Brasil, então esse apoio ajudou muito. Porém o sentimento de perda sempre vai ter. É muito difícil não ter mais os amigos da diretoria, os repórteres e os atletas, todos aqueles companheiros pessoas que brigavam pela Chape. Sabemos que os que se foram não vão voltar, e quem ficou tem que fazer a sua parte para manter o que eles deixaram de bom – afirma Darci.

(Foto: Sirli Freitas/Chapecoense)(Foto: Sirli Freitas/Chapecoense)

Quatro meses após o acidente na Colômbia, a Chape derrotou o campeão da Libertadores, Atlético Nacional, no primeiro jogo da Recopa. Um mês depois, o Verdão conquistou o Campeonato Catarinense em final contra o Avaí. Participou da primeira Libertadores de sua história, a segunda de um clube de Santa Catarina em todos tempos, 25 anos após a participação do Criciúma. Só não se classificou para as oitavas de final por conta da escalação de jogador suspenso. Dentro de campo, fez mais pontos, no grupo, que o classificado Nacional, tricampeão do torneio. Fez a mesma pontuação do Lanús, que acabaria sendo finalista.

Ainda na Libertadores, fez o que jamais é fácil para qualquer clube sul-americano:  ganhar na Argentina. Bateu o Lanús por 2 a 1 em La Fortaleza. Chegou às oitavas de final da Sul-Americana, tendo alcançado essa fase pelo terceiro ano seguido. Eliminou um argentino, o Defensa y Justicia, nos pênaltis. O adversário havia deixado o São Paulo pelo caminho.

No Campeonato Brasileiro, livrou-se do rebaixamento a três rodadas do fim, após bater o Vitória, na Arena Condá, pela 35ª rodada. Derrotou, no Brasileirão, gigantes do futebol nacional: Atlético Mineiro, Cruzeiro, Grêmio, Fluminense, Palmeiras, Santos e Vasco. Agora a Chape está próxima de fazer sua melhor campanha na história da Série “A”. Está um ponto abaixo da pontuação do ano passado, mas duas posições acima (é 9º, 51 pontos). Em 2014, foram 43 pontos e o 15º lugar; em 2015, 47 pontos e a 14ª posição; e, em 2016, 52 pontos e o 11º lugar.

A Chape ainda disputa vaga para a Libertadores 2018. Se Grêmio e Flamengo conquistarem, respectivamente, Libertadores e Sul-Americana em 2017, até o 9º colocado – posição atual da Chape – se classifica. Mesmo que nenhum brasileiro ganhe as competições da Conmebol este ano, a equipe catarinense ainda tem chances matemáticas de conquistar o 7º lugar na última rodada, quando recebe o Coritiba no próximo domingo (3), às 17h na Arena Condá.

- Esse grupo que está aí são pessoas que confiamos e que esperamos manter pelo menos 50% dessa equipe em 2018. O planejamento para o próximo ano já foi aprovado, e o objetivo que era manter a equipe agora anda no sentido de fazer a Chape crescer. Vamos trabalhar para que a equipe suba mais no Brasileirão – comenta Darci.

(Foto: Site O Tempo/SuperFC)(Foto: Site O Tempo/SuperFC)


Chapecoense, time do coração

Com a ascensão da Chapecoense no cenário nacional, a procura para se associar ao time cresceu, inclusive após a tragédia, o que fez com que surgissem diversos consulados para aproximar os torcedores da equipe. O de Xanxerê foi oficializado nesse mês e trabalha no cadastramento de novos sócios. O cônsul xanxerense, Hermogênio Palauro, é a prova de como o Verdão do Oeste veio conquistando novos torcedores ao longo dos últimos quatro anos.

- Flamenguista, eu me associei à Chapecoense quando ela subiu para a série A porque era a oportunidade de ver o Flamengo jogar aqui. No decorrer desses anos eu me tornei um torcedor apaixonado pela chape, nem acompanho mais o Flamengo. Sempre uso camisa da Chape por onde vou. Pensando em ajudar o time de alguma forma após a tragédia, eu fui atrás de novos sócios torcedores e consegui fazer com que 32 pessoas se associassem desde o início desse ano. Depois disso, o clube entrou em contato comigo e sugeriu que eu me juntasse ao grupo de Xanxerê e formássemos um consulado, e foi assim que aconteceu a organização aqui – comenta Hermogênio.

Consulado da Chapecoense em Xanxerê (Foto: Cristiane Aline Huff/Folha Regional)Consulado da Chapecoense em Xanxerê (Foto: Cristiane Aline Huff/Folha Regional)

O cônsul destaca que o crescimento da Chape antes da tragédia se deu muito pelo modelo de gestão adotado pela diretoria do clube e que foi buscado posteriormente por outros times.

- As pessoas que estavam ali, os jogadores, nenhum tinha nome badalado a não ser Cleber Santana, que passou por campeonato espanhol e clubes brasileiros, os demais eram jogadores que trabalhavam por R$ 10 mil por mês e que tiveram superação pela união O grande diferencial da Chape, que foi exemplo a nível de Brasil, foi a administração com transparência, honestidade e que incentivava a produtividade em campo. E por meio desse modelo de gestão, o time foi conquistando espaço e fez com que a paixão aflorasse no torcedor, inclusive aqui na região em que Grêmio e Inter sempre predominaram. Com a tragédia, a nível de mundo, a Chapecoense é o segundo clube no coração dos torcedores. Muitas pessoas são associadas, mas não desfrutam das vantagens, fazem apenas para ajudar o clube – afirma.

Hermogênio trabalha na busca de novos sócios para o clube (Foto: Arquivo Pessoal)Hermogênio trabalha na busca de novos sócios para o clube (Foto: Arquivo Pessoal)

Quanto ao número de associados xanxerenses, Hermogênio comenta que até o final de janeiro de 2018 o dado deve ser divulgado. Isso porque muitos residentes no município estão associados a outros consulados e a intenção é que a secretaria da Chapecoense faça a transferência dos cadastros para o novo consulado. Um ano depois da tragédia, o cônsul classifica a rápida reestruturação da Chape como algo inimaginável.

- Nós acompanhamos a ascensão, a tragédia e depois a remontagem da equipe com jogadores emprestados e a Chape se reergueu. O que aconteceu com a Chapecoense após a tragédia tem a mão de alguém que se foi. Porque o time superou todas as expectativas, tem a melhor campanha da Chape nos últimos anos fora de casa. Aquele time estava entrosado, esse de agora nem se conhecia e, mesmo assim, se reergueu. O que foi feito nesse um ano ninguém esperava, ninguém acreditava que isso poderia acontecer – finaliza Hermogênio.

(Foto: Sirli Freitas/Chapecoense)(Foto: Sirli Freitas/Chapecoense)

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