WhatsApp
49 9 9964.1833
Comunidade, Saúde - 17 Abr 2018 08:46

UTI Neonatal do hospital de Xanxerê atende na sua capacidade máxima

Falta de vagas na UTI Neonatal às vezes obriga transferência de mães da região para parto em outras cidades
Por: Carol Debiasi
Visualizações: 1502
UTI Neonatal do hospital de Xanxerê atende na sua capacidade máxima (Foto: Cristiane Aline/Folha Regional)

Na última semana, o Governo do Estado de Santa Catarina divulgou matéria comentando que o Estado está com mais leitos do que o recomendado pelo Ministério da Saúde, que indica dois leitos para cada mil nascidos vivos. A situação seria benéfica, visto que contando com 226 leitos de UTI Neonatal, destes 174 públicos e 52 privados, estariam acima da média nacional.

- Em Santa Catarina nascem em torno de 100 mil crianças por ano. Isso significa que são necessários 200 leitos de UTI Neonatal. Como temos 226, o Estado está acima do recomendado - destacou o secretário de Estado da Saúde, Acélio Casagrande.

Em Xanxerê, segundo a neonatologista do Hospital Regional São Paulo, Dra. Lilian Cássia Marini, a realidade de leitos é outra. O HRSP é referência para Xanxerê e aos outros 13 municípios. Ela conta que nos últimos três meses teve uma média de 134 nascimentos por mês, destes, 10% prematuros.

- Não é essa nossa realidade, não podemos só colocar a quantidade de leitos e o número de bebês prematuros que nascem, pois não é só prematuro que vem para a Neo, bebês atermos (que nascem no tempo certo) às vezes também precisam de cuidados especiais. Sempre trabalhamos com capacidade máxima e tendo que administrar isso, é uma realidade do Estado e do Brasil. Na última semana nasceram 10 bebês, a possibilidade de alguns deles precisarem da Neo é muito grande - destaca.

Dra. Lilian explica que como a UTI Neo Natal é do Tipo 2 (que não atende as subespecialidades como, por exemplo, a cirurgia pediátrica), tem dez leitos, é superequipada, tem todos os equipamentos e suporte que os bebês precisam, mas possui uma demanda muito grande. Nos últimos três meses recebeu média de 16 bebês/mês.

- Atendemos Xanxerê e mais 13 municípios e temos porta aberta da emergência. Geralmente lidamos com a situação de superlotação, com os 10 leitos ocupados - explica.

Como a UTI Neonatal é regulamentada via Central de Leitos, primeiramente de Chapecó e depois de Florianópolis, se há leito disponível e não tem reserva da cidade, o hospital fica disponível para receber bebês de todo Estado, impossibilitando às vezes atendimento de gestantes de Xanxerê e região, devido à falta de vagas.

- Os leitos são regulados pela Central Estadual, eles não pertencem ao hospital, pertencem ao Estado então recebemos bebês de todos os lugares, de Blumenau, Joinville, na última semana tinha reserva de Araranguá. Com essas situações às vezes gestantes da nossa abrangência, precisam ser transferidas para outros hospitais - comenta.

A UTI, segundo a Dra. Lilian, trabalha geralmente em situação de capacidade máxima, a situação se agrava quando chegam gestantes em trabalho de parto e que precisam ser atendidas no momento.

- Quando chega uma gestante em trabalho de parto, temos que atender, às vezes já está com os leitos ocupados, mas não podemos interromper o trabalho de parto, temos que atender - reforça.


Importância do pré-natal
Dra. Lilian considera que um dos agravantes no índice de nascimento prematuro é a precariedade da realização do pré-natal, serviço ainda deficiente em qualidade na região.

- A gente vê que alguns municípios têm pré-natal bem precário e precisamos melhorar a qualidade com certeza. Muitas vezes chegam gestantes aqui que só tem exames do primeiro trimestre, que não tem nenhum ultrassom durante a gestação. Tem casos que o bebê nasce com má formação e a mãe nem sabia devido à falta de assistência no pré-natal - explica.

O pré-natal é totalmente importante para acompanhar o crescimento e formação do bebê, previne prepara para situações que possam vir a acontecer.

- Sempre digo que a melhor incubadora é o útero materno então, se sabemos pelo pré-natal que tem uma especialidade, transferimos a mãe para realizar o parto em hospital adequado à situação. Transferir o bebê é sempre mais arriscado e é necessária toda uma mobilização, às vezes até aérea para transferências a outras cidades - frisa.


Fluxo de atendimento
Sobre a quantidade necessária de leitos para suprir a necessidade, a doutora diz que não é possível mensurar, pois não há números fixos de atendimentos, eles são variáveis, pois cada bebê tem uma necessidade especial, mas com a quantidade de leitos atuais, é raro ter espaços disponíveis.

- Às vezes começamos a semana com capacidade máxima, transferimos os bebês e os leitos já são ocupados com novos nascimentos ou transferências. Não tem como mensurar quantos leitos seria necessário, pois não tem um tempo médio de permanência, cada bebê é um caso. Temos um caso de prematuro extremo, por exemplo, que nasceu de 25 semanas e seis dias pesando apenas 705g, este bebê se correr tudo bem, ficará no mínimo três meses na Neo, já outros rodam mais rápido, é bem individual - explica.


Suporte familiar
Na UTI Neonatal do HRSP o bebê tem direito há acompanhante 24 horas, ou o pai ou a mãe. É disponibilizado alojamento dentro da UTI, oferecido todas as refeições e local para banho. 

- Eles podem ficar 24 horas perto de seus filhos. A equipe é acolhedora, as mães fazem ordenha manual do leite a beira do leito, incentivamos e orientamos que fiquem próximas, pois cria um vínculo e elas vão perdendo o medo de mexer com um bebê tão pequeno - destaca.

O hospital disponibiliza ainda, uma equipe de fisioterapeutas, psicólogos, e oficinas de artesanato para as mães confeccionarem itens para seus bebês, a prática serve ainda como distração para passar o tempo.

- Não é fácil para as mães ficarem às vezes dois meses aqui, elas precisam se ocupar, e a oficina é uma maneira - diz.

Com o convívio na Neonatal criam-se laços que tornam profissionais, mamães e bebês uma grande família. Exemplo disso é o mural, logo na entrada, que exibe fotos dos bebês que já passaram na Neo.

- Algumas mães vem visitar as profissionais depois, trazem os bebês para conhecer o espaço, mandam fotos de antes e depois. Apesar de todas as dificuldades formamos uma grande família aqui dentro - finaliza Dra. Lilian. (Fonte: Folha Regional)


Imprimir
Enviar para um amigo
Assinar

Envie esta notícia para um amigo



Comente
esta notícia

Ao efetuar um comentário, o seu IP (Internet Protocol) será gravado e poderá ser utilizado para identificar o usuário que inseriu o mesmo.
Opiniões expressas aqui são de exclusiva responsabilidade do autor do comentário e não necessariamente estão de acordo com os parâmetros editoriais do Tudo Sobre Xanxerê.


Outros comentários

noresults

Caso o comentário acima for abusivo ou seu nome for utilizado indevidamente, denuncie.

Notícias por data:

a
Voltar