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Xanxerenses pelo Mundo - 15 Out 2014 11:01

Xanxerense conta experiência de viver há quase 30 anos nos Estados Unidos

Por: Leticia Faria
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Geazi Ugolini é um xanxerense, que aos 19 anos de idade deixou sua cidade natal e toda família para morar nos Estados Unidos. De uma conversa entre amigos, no fim da década de 80, surgiu a ideia. Sem saber falar Hi nem Bye, foi realizar seu desejo. A primeira cidade que morou, por oito anos, foi Boston. Mais tarde, quando era dono de um restaurante, ficou por um ano em Las Vegas. E, há 18 anos, mora em Atlanta. Ele é casado e tem uma filha de quatro anos. Há duas semanas está em Xanxerê, visitando sua família, mas com a volta programada para o fim desta semana.

Há quase 30 anos ele mora nos Estados Unidos. Geazi relata que a maior dificuldade, quando chegou, foi se adaptar ao inglês, já que quando deixou o Brasil não sabia nada daquela língua. Com esforço e usando o street English (inglês de rua) passou a dominar o idioma. Na entrevista ao TUDOSOBREXANXERE.com.br ele conta sua ida para os EUA, como vive por lá e ainda orienta aqueles que desejam se aventurar pela América. Confira a entrevista:


Geazi Ugolini está em Xanxerê até o fim desta semana, visitando seus familiares (Foto: Leticia Faria/Tudo Sobre Xanxerê)Geazi Ugolini está em Xanxerê até o fim desta semana, visitando seus familiares (Foto: Leticia Faria/Tudo Sobre Xanxerê)


TUDOSOBREXANXERE.com.br – Você foi para os Estados Unidos, em 1987, quando tinha 19 anos, muito jovem. O que te motivou deixar Xanxerê, sair do Brasil, deixar também o convívio com a família?
Geazi Ugolini –
Em 1987 eu perdi o ano letivo e, resolvi fazer um supletivo em Curitiba, para onde fui. Foi a partir desse momento que surgiu a ideia, através de um amigo que queria ir para lá. No final das contas eu fui para os Estados Unidos e, ele nunca foi. Ir para fora do Brasil surgiu depois que precisei deixar Xanxerê para estudar fora.

TSX – E, porque escolheu os Estados Unidos como destino?
Geazi –
Na época que fui os Estados Unidos era uma potência, mas particularmente eu nunca tinha ouvido falar de outros países que ofereciam talvez a condição de ir para lá. Quando fui para os Estados Unidos, em 87, na verdade nem sabia por que estava indo. A ideia era conhecer até porque não sabia se eu ficaria por lá, ou não. Mas, chegando, acabei ficando e já estou há quase 30 anos.

TSX – Quando foi para os EUA você não sabia fazer nada em inglês, nem Hi nem Bye. Como foi seu período de adaptação?
Geazi –
Não sabia absolutamente nada de inglês. Foi uma aventura até sem muito pensar, achando que seria como aqui, que entrava em um ônibus e ia para outra rodoviária. Mas na verdade não é bem assim. A maior dificuldade, sem dúvida, foi em relação à adaptação ao inglês, a língua. La existe o street English, que é o inglês de rua que aprende no trabalho, com amigos e foi como eu aprendi. Mas tem também a escola. Além disso, também comprei algumas fitas K7 que tinha naquela época, ou DVDs e foi assim que aprendi. Outra situação é que antigamente a gente não tinha tanta informação a disposição, como hoje em dia, através da internet que você acaba sabendo mais das coisas, antes não era difícil para chegar lá. A comunidade brasileira, também, era bem menor quando hoje já é bem maior e facilita para quem chega.

TSX – Qual sua situação nos Estados Unidos enquanto morador, do ponto de vista legal perante as leis?
Geazi –
Na época que fui, começo da década de 90, eles davam o Social Security como o CPF nosso, por exemplo. Eles concediam isso fácil e com este número você poderia arrumar emprego. Hoje eles já não dão mais esse documento. Vivi muito tempo ilegal lá, uns 15 anos, quando consegue o Green Card, mas nunca precisei viver escondido, porque lá a imigração só vai atrás quando houver uma denúncia, diferente de alguns países da Europa. Só tive apenas um incidente, que foi em umas das vindas ao Brasil, a Xanxerê para visitar minha família, no aeroporto, quando me barraram por que disse que estava vindo a negócio, mas com visto de turista e, então, queria apenas que eu trocasse o visto, nada de deportação.

TSX – São quase 30 anos nos Estados Unidos, e qual o melhor período em termos de negócios ou qualidade de vida?
Geazi –
No começo foi mais fácil de ganhar dinheiro, até então não existia tanta recessão nos Estados Unidos, como hoje existe em função das guerras. Nos primeiros anos eu comecei a trabalhar em restaurantes, depois entrei na área de construção e, mais tarde, comprei um restaurante em Atlanta, onde moro hoje e, outro, em Las Vegas. Hoje eu voltei para área de construção.

TSX – Como lidar com a saudade de Xanxerê e, o que te faz lembrar lá dos Estados Unidos sua cidade natal?
Geazi –
A saudade é muita, grande, especialmente da família. Mas da cidade também, que é muito boa, é onde eu nasci. A cada tempo que venho a gente percebe o quanto Xanxerê vem crescendo, muitas construções, muitos prédios, os bairros cresceram demais também. O que faz lembrar mais o Brasil são os próprios brasileiros, já que hoje a comunidade brasileira é bem grande, diferente de quando chegue no fim dos anos 80. Mas também tem o chimarrão lá, que faz lembrar Xanxerê e algumas pessoas tomam e, ainda, lá também tem a erva-mate Xanxerê que faz lembrar aqui imediatamente (risos).

TSX – Hoje, em 2014, vivendo todas as experiências ao longo desses 30 anos você aconselharia as pessoas a irem para lá?
Geazi –
Aconselharia as pessoas, os jovens principalmente, a irem para lá a estudo. A trabalho não vejo, hoje, uma vantagem grande. Para estudar, as facilidades são várias.

TSX – Você pensa em voltar para o Brasil, especialmente para Xanxerê?
Geazi –
Penso em voltar sim e, voltar para Xanxerê por sinal. Estamos analisando algumas possibilidades até mesmo de futuros investimentos aqui em Xanxerê, de forma que venha trazer benefícios para o município e para a população de modo geral. Ainda estamos em planejamento.


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